sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

“produção de mata ciliar”

Osni Valfredo Wagner Mestrando em Desenvolvimento Regional Os interesses econômicos imediatistas dos ruralistas que movimenta propósitos de diminuir o máximo a mata ciliar, dos 30 metros para 15 metros acordado no congresso nacional em Brasília, coordenado Rebelo PC do B. acordo que é contestado por cientistas e ambientalistas. Pensar em outra solução para o impasse sobre o código ambiental. Esse problema da mata ciliar não afeta somente o espaço rural como também o urbano. Em ambos os casos devem nos sensibilizar e conscientizar a comunidade que a água vai diminuir diminuindo a mata ciliar. O risco vai aumentar com a diminuição da mata ciliar. As APP áreas de preservação permanente e as APA áreas de preservação ambiental precisam ser respeitadas por terem declividades de 45 graus a 90 graus, área inadequada de serem ocupadas e áreas com declives de 20 graus a 45 graus passivas de vulnerabilidade a erosão. Essas regiões são vistas como territórios daqueles que ocupam aquela determinada localidade. Um novo pacto territorial que mobilize governos e cidadãos em ações inovadoras em uma mentalidade de resiliência as gerações presentes e futuras a partir da solidariedade da cidade e do campo em torno do desenvolvimento sustentável, conhecimento cientifico e tradicional e local. Os projetos interdisciplinares em que os atores locais fomentem o social e o meio ambiente para uma vida mais saudável. Frente aos problemas globais como aquecimento e poluições em geral a ONU propõe investimento de 2 trilhões ano. De onde vem o recurso, imagina só da circulação financeira internacional, uma cópia do CPMF brasileiro, e nós queremos acabar com esse imposto que acaba com a sonegação e permite que o governo federal disponha de recursos financeiros de forma ágil e eficiente coisa que o ICMS e tantos outros impostos não consegue. Se globalmente se busca fundos para solucionar os problemas ambientais podemos também no Brasil ter um fundo, no momento o mais eficiente é a Contribuição Social e Saúde, que poderia ser Ambiental também. Com um fundo ambiental se poderá investir em produção de mata ciliar, por exemplo, energia eólica e solar, entre outros projetos ambientais garantindo renda para proprietários e água para toda a sociedade. Toda aquela questão de reclamar sobre os impostos compreende-se, mas devemos colocar na balança que também tem muita sonegação. E mais devemos assumir não só o lucro financeiro que o sistema capitalista nos proporciona, mas também os prejuízos ambientais, sociais e de saúde. Qual a garantia que essa nova contribuição financeira vai ser aplicada no social, na saúde e no ambiental, caso seja aprovado, essa é uma tarefa que todos, temos que cobrar. Que é imposto e para não ficar dúvida sobre essa questão, os projetos sociais, saúde e ambiental devem ser defendidos por toda a sociedade.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL

CAPITULO 1 – INTRODUÇÃO Que entendemos por desenvolvimento sustentável? Por que tantas definições para este conceito? Se complexificarmos um pouco mais e inserirmos a variável território, o que seria desenvolvimento territorial sustentável? É possível medir esse desenvolvimento territorial sustentável? Se assim for, como medi-lo? Estas e outras interrogações foram as que motivaram as primeiras reflexões e o surgimento de uma pesquisa-ação participativa, em curso, nas comunidades do entorno da Sub-Bacia de Rio Sagrado, zona rural de Morretes –PR, Área de Preservação Ambiental (APA) de Guaratuba, Reserva da Biosfera de Floresta Atlântica. 1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA PROBLEMÁTICA DE PESQUISA Atualmente, não é difícil perceber um olhar crítico da sociedade para com o modelo atual de desenvolvimento, sobretudo quando se analisa o percurso das últimas décadas e se prospecta as próximas, baseando-se no último relatório do Intergovernmental Panel of Climate Change (IPCC), divulgado em 2007, formulado pela World Meteorological Organization (WMO), no âmbito do United Nations Environmental Programme, UNEP, que aponta sobre os riscos de se continuarmos com o atual modelo de desenvolvimento. Mesmo os mais céticos economistas não conseguem mais ficar indiferente a tais prognósticos (SAMPAIO, 2009; KELLER, 2008; SAMPAIO, ZECHNER e HENRIQUEZ, 2008). A última versão do Relatório do Planeta Vivo (2008) nos alerta, que nos últimos trinta e cinco anos temos perdido quase um terço da vida silvestre do A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 18 planeta e que a nossa pegada ecológica global, entendida como impacto, excede em quase 30% a capacidade do planeta de se regenerar. Este cenário pessimista aponta que se as nossas demandas continuarem nesse ritmo, para meados da década de 2030, precisaremos o equivalente a dois planetas Terra. Os atuais indicadores para a sustentabilidade nos permitem avaliar os avanços e retrocessos quando problematizamos o desenvolvimento versus crescimento econômico. Neste contexto não se tem dúvidas que o século XX foi testemunho de significativas transformações em todas as dimensões da existência humana (HOBSBAWM apud VAN BELLEN, 2006). Tais transformações é resultado de um modelo de desenvolvimento hegemônico imposto pelos países do hemisfério norte, chamados de desenvolvidos ou países do centro (ou ainda ocidentalizados), sobre os países do hemisfério sul, chamados em desenvolvimento ou países periféricos1. Este modelo de desenvolvimento patologicamente excludente - cerca de ¼ da população concentra ¾ do PIB mundial (PNUD, 2007), caracteriza-se pelo alto grau de industrialização dos países chamados desenvolvidos, baseado em processos de produção fordistas, com alta tecnologia, fundamentado em uma ação social que visa fins determinados (racionalidade instrumental). Weber (2000), já previa e alertava sobre os riscos de tal racionalidade transpor os muros das fábricas e que de fato ocorreu. Atualmente, a 1 Para um maior aprofundamento na discussão sobre centro e periferia ver Furtado, Celso. Introdução ao Desenvolvimento. Enfoque Histórico-Estrutural. 3ed., Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2000. Capítulos l, ll, lll, e lV. Furtado, Celso. Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico, São Paulo, Abril Cultural, 1983 (coleção os economistas) Capítulos 1, 2, 3, 4 e 8. Fernandes, Florestan. Sociedade de Classes e Subdesenvolvimento. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1975. Lipietz, Alain. O capital e seu Espaço, São Paulo, Novel. 1988 (O que é o Espaço – PP. 15-31). Lipietz, Alain.Miragens e Milagres. Problemas da Industrialização no Terceiro Mundo. São Paulo, Novel, 1988. Capitulo 3. A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 19 racionalidade que vigora nas sociedades ocidentalizadas é predominantemente econômica, isto é, privatizam-se lucros de curto prazo e socializam-se prejuízos socioambientais de médio e longo prazos (SAMPAIO, 2005). Paradoxalmente, a visão monodisciplinar da ciência e tecnologia é considerada por muitos como a única tábua de salvação para a crise contemporânea, de um lado se prospecta melhorar a vida das pessoas e aumentar a expectativa de vida das populações e, inversamente, por outro lado, remete à sua autodestruição, resultado também da sobre-utilização dos recursos naturais (biodiversdiade) quando se chega ao ponto extremo de perder a capacidade de resiliência, ou seja, deixar de ser não-renovável. Tem se, então, o que Sampaio (2005) aponta como “beco sem saída”, em que reina uma grande disparidade dos padrões de vida e de consumo da população, paralelamente ao aumento dos níveis de desigualdade entre centro e periferia. Segundo Henríquez et al. (2008) existem esforços na tentativa de reverter ou, pelo menos, minimizar os efeitos perversos deste modelo de desenvolvimento. Um deles é o que se conhece por ecodesenvolvimento (SACHS, 1986) que, aliás, surge como precursor do conceito de desenvolvimento sustentável, hoje amplamente difundido e aceito mundialmente pela comunidade internacional, inclusive dentro de entidades de grande influência como o Banco Mundial e a ONU. Outros conjuntos de esforços surgem, como os que apontam para uma outra economia ou para um outro desenvolvimento. Ou, ainda, o que o economista chileno Manfred Max-Neef chama por Desenvolvimento à Escala Humana, que além de apresentar uma crítica, sugere uma metodologia para construir indicadores que medem um desenvolvimento mais sustentável. A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 20 Um desdobramento das terminologias desenvolvimento sustentável, ecodesenvolvimento e desenvolvimento à escala humana, é o de Ecossocioeconomia que tenta dar respostas a problemas cotidianos e que se caracteriza por privilegiar os estudos práticos que possibilitam a viabilidade macro (interorganizacional) e microeconômica (organizacional) de grupos organizados ou quase organizados, chamados de arranjos socioprodutivos de base comunitária, de modo que possam não só ampliar oportunidades de trabalho e renda de populações tradicionais mais também de assegurar que seus modos de vida e de produção, distintos do padrão ocidentalizado (industrial, urbano e consumista), continuem a existir e que se insiram na economia de mercado, sem, no entanto, perderem sua dinâmica própria (SAMPAIO, 2009). Neste contexto, a presente dissertação apresenta-se da seguinte forma: apresentar primeiro uma discussão teórica e para depois ilustrá-la a partir de uma experiência em curso de construção participativa de indicadores socioambientais territoriais de maneira que promova um desenvolvimento mais sustentável nas comunidades do entorno da Micro-Bacia Hidrográfica do Rio Sagrado, zona rural de Morretes-PR, APA de Guaratuba, ReBIO de Floresta Atlântica, no contexto de uma zona de educação para o ecodesenvolvimento, estabelecida desde 2006. 1.2. PROBLEMA DE PESQUISA Durante o 2006, as comunidades residentes no entorno da Micro Bacia do Rio Sagrado, aceitaram o desafio de se tornarem parte de um projeto A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 21 intitulado de Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento, em parceria com a ONG Instituto LAGOE (Laboratório de Gestão de Organizações que promovem o Ecodesenvolvimento), Universidade Regional de Blumenau (FURB) e outras universidades parceiras. Desde então, a área tem sido objeto de incessantes estudos no sentido de compreender as dinâmicas sócioambientais e socio-economicas da região, transitando para um outro desenvolvimento, que se traduz em um plano participativo de desenvolvimento integrado e sustentável para o território. Atualmente os membros comunitários encontram-se organizados de forma associativa (Associação Comunitária Candonga) através de uma cozinha comunitária, a qual oportuniza a sobrevivência na economia de mercado de um grupo reduzido de pessoas. Por outro lado a comunidade encontra-se organizada em uma Associação de Moradores do Rio Sagrado (AMORISA), que tem como missão a preocupação pelo abastecimento d´agua. Recentemente, no percurso do 2009, surgem outras duas novas organizações de base, o Grupo de Artesã do Rio Sagrado (ARTRISA) e o grupo de adolescentes Força Jovem. O primeiro prioriza a questão de trabalho e renda e o segundo visa à participação ativa e política dos adolescentes no processo de desenvolvimento da comunidade. Como apresenta Keller (2008), o padrão de distribuição das habitações é de tipo “disperso” e as mesmas, muitas delas propriedades rurais, estarem distribuídas ao longo de estradas secundárias, cuja conseqüência é traduzida em pouca participação e coesão social. Contudo, existem pessoas com características sensíveis, solidarias e empreendedoras que visam estabelecer parcerias com outros membros da comunidade, na busca de superar A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 22 dificuldades e gerar um outro desenvolvimento, é assim, que surge um arranjo sócioprodutivo de base comunitária, em curso desde 2006. Assim uma metodologia de indicadores para a sustentabilidade do território, construída a partir do olhar dos próprios moradores locais (que privilegie o viés intergeracional) em parceria com pesquisadores (que privilegiam um viés transdisciplinar) possa mostrar quão perto ou longe se está do que a comunidade visualiza como Desenvolvimento Sustentável. Por ultimo, considerando uma significativa parte dos processos produtivos na região, desde a instauração de uma zona de educação para o ecodesenvolvimento, não se sabe com certeza, se esse processo de desenvolvimento é realmente sustentável e ou seja, será que os modos de vida próprios da comunidade, e a preservação do meio ambiente estão realmente sendo conservados?. Cabendo então a esta pesquisa tentar dar pistas sobre essa questão. 1.3. JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA 1.3.1. Justificativa e Relevância Teórica As sociedades pós-modernas são tão dependentes da natureza para sustentar seus estilos de vida como as sociedades mais primitivas da idade da pedra. Ou seja, mesmo que moremos perto da natureza ou no coração de uma cidade, os nossos meios de subsistência e as nossas vidas, dependem A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 23 completamente dos serviços proporcionados pelos ecossistemas (MAX-NEEF, 2007; Relatório do Planeta Vivo, 2008). É neste contexto que comunidades, organizações sociais, universidades, setor público e privado estão se organizando e articulando em diferentes países do mundo. Estas organizações sociais têm como objetivo comum proteger o território do qual fazem parte e tentar melhorar sua qualidade de vida. Estas comunidades e demais instâncias sociais, geralmente compartilham preocupações comuns na procura e construção de espaços socioambientais mais saudáveis, tanto para hoje como para as futuras gerações (WATIEZ e REYES, 2000). Contudo, muitas destas comunidades e organizações sociais, muitas vezes, carecem de instrumentos e experiência para reforçar e orientar os trabalhos para um desenvolvimento com uma visão clara, que assegure que os diferentes esforços resultarão em mudanças concretas e positivas para toda a sociedade (WATIEZ e REYES, 2000). Acredita-se que uma metodologia de Indicadores Territoriais Socioambientais Participativos, que esteja fortemente relacionada com a educação, possa dar respostas às necessidades descritas no parágrafo anterior. Trata-se de gerar e entregar informação que oriente o desenvolvimento ecossocioeconomico do território da Micro Bacia do Rio Sagrado. Nesse contexto, é que o Núcleo de Políticas Publicas (NPP), dependente do Programa de Pós Graduação Mestrado em Desenvolvimento Regional que possui duas linhas de pesquisa: 1)Estado Sociedade e Desenvolvimento Regional; 2) Dinâmicas Socioeconômicas no Território. A primeira e da qual faz parte o NPP, está voltada para pesquisas de gestão e A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 24 analise de políticas publicas; desenvolvimento turístico regional; ética ambiental; e desenvolvimento, diversidade histórica e cultural no território, e é deste constructo teórico que parte o presente trabalho, que pretende contribuir para a compreensão, aos diferentes níveis da sociedade, sobre a temática dos Indicadores Territoriais Socioambientais Participativos. No contexto da Micro Bacia do Rio Sagrado, os indicadores territoriais socioambientais podem permitir melhorar os processos de educação e gestão da biodiversidade, pois a sustentabilidade atual e futura é fundamental. Neste sentido os indicadores construídos de maneira conjunta com a comunidade, isto é, a partir do próprio olhar das pessoas que ali moram, possibilitam que se apontem as necessidades reais do território. 1.3.2. Justificativa e Relevância Prática A região onde se pretende desenvolver o projeto está inserida na Área de Preservação Ambiental (APA) de Guaratuba, Unidade de Conservação Estadual de Uso Sustentável, instituída pelo Decreto Estadual nº 1.234 de 27/03/92, que abrange os Municípios de Guaratuba, Morretes, São José dos Pinhais, Tijucas do Sul, Paranaguá e Matinhos, com uma área de 199.596,5 ha. Além disso, o território integra a Bacia Hidrográfica Litorânea, inserida na Reserva da Biosfera (REBIO) de Floresta Atlântica. A primeira justificativa pratica centra-se na possibilidade de dar continuidade e complementaridade a outros trabalhos desenvolvidos no território. Na Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento existe uma rede esforços entre membros comunitários, pesquisadores, atores públicos entre A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 25 outros que trabalham por um outro desenvolvimento, integrado e sustentável para o território e suas comunidades. Cabe apontar que este projeto de dissertação em todos seus desdobramentos, na sua fase de construção, possibilitou a aprovação de quatro editais: Edital de Apoio e Fortalecimento do Ministério de Turismo (2008), edital de Extensão Universitária do Ministério de Cultura (2008), Programa de Intervivência Universitária do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Programa de Diagnósticos e Indicadores Participativos financiado pelo departamento de Extensão da Universidade Regional de Blumenau (2009). Enfatiza-se a necessidade e relevância de abordagens interdisciplinares e até mesmo transdisciplinares para a construção dos indicadores territoriais socioambientais, face à complexidade da problemática territorial existente (HENRIQUEZ et al., 2008). É por isto, que este trabalho vale-se da integração, em momentos e graus diferentes, de pesquisadores (doutores, mestres, mestrandos e graduandos, provenientes de diferentes áreas do conhecimento), membros comunitários em diferentes faixas etárias, sociedade civil organizada, ativistas sociais, setor publico e setor privado no decorrer da pesquisa. O resultado da pesquisa pode melhorar a inserção dos socioempredimentos em redes de comércio justo. Os Indicadores territoriais socioambientais participativos poderão fornecer informações para a construção de futuras políticas públicas na área da educação. A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 26 1.4. OBJETIVOS 1.4.1. Objetivo Geral Desenvolver um construto teórico - empírico que permita justificar uma metodologia de indicadores territoriais socioambientais participativos na Sub Bacia de Rio Sagrado e analisá-los como potencializadores para melhorar processos de desenvolvimento regional sustentável. 1.4.2. Objetivos Específicos A) Desenvolver um diagnóstico “intergeracional” socioambiental participativo do território da Sub Bacia do Rio Sagrado, visualizando as principais atividades produtivas, assim como os principais problemas sócioambientais no território. B) Construir indicadores socioambientais participativos que permita chamar a atenção e tente dar respostas aos principais problemas identificados no diagnostico. 1.5. PERGUNTAS DE PESQUISA A) De que forma estudar, visualizar e compreender os principais problemas socioambientais do território da Micro Bacia de Rio Sagrado? A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 27 B) Quais seriam os indicadores socioambientais que poderiam ser usados como uma referência para iniciar o tema do trabalho e que podem interferir no processo de desenvolvimento territorial sustentável das comunidades da Micro- Bacia do Rio Sagrado? C) De que forma aproveitar os indicadores socioambientais para possibilitar a continuidade do projeto nas comunidades da Micro bacia do Rio Sagrado? 1.6. LIMITAÇÕES DA PESQUISA Uma das principais limitações faz referencia aos membros da própria comunidade do Rio Sagrado, que pelas condições sociais apresentam índices muito baixos de escolaridade2, o que conseqüentemente se traduz, em uma série de dificuldades no inicio desta pesquisa, para eles compreender a importância e funcionamento dos indicadores socioambientais. Outra das dificuldades vivenciadas neste processo foi a participação. Como já comentado anteriormente, a distribuição das habitações é de tipo “disperso”, muitas delas propriedades rurais, distribuídas ao longo de estradas secundárias, muito distantes umas das outras, o que dificulta o contato e consequentemente a coesão social e participação. Também é possível mencionar que o território faz parte de unidade de conservação denominada Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaratuba, percebeu-se que a comunidade sabe que mora em uma unidade de conservação mais pouco entende o que isto significa. O fato deles saberem 2 Para um maior aprofundamento sugere-se como leitura a dissertação da mestre Flavia Kelle Alves, 2008. A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 28 que moram em uma APA faz com que as pessoas apresentem certo grau de receio ao falar de problemas ambientais, uso de agrotóxicos, desmatamento, caça entre outras coisas. Neste contexto também vale a pena ressaltar que o fato dessas comunidades estarem em contato constante com uma natureza exuberante, dificulta a sua percepção quanto aos problemas ambientais, que gradativamente já estavam surgindo na área. Contudo, acredita-se que ao longo da pesquisa, essa percepção tenha começado a surgir, tornando-os mais sensíveis e perceptivos quanto ao tema consciência ecológica. Por ultimo, faço menção à dificuldade de encontrar dados secundários sobre o território. Percebeu-se que os órgãos públicos mostraram-se um tanto receosos em colaborar com o pesquisador no repasse de informações. Em outras ocasiões a dificuldade deu-se por falta de vontade, e entendimento da pesquisa, por parte dos servidores públicos. A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE INDICADORES TERRITORIAIS SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. 29
Fonte:
ZUÑIGA, CHRISTIAN HENRIQUEZ SOCIOAMBIENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL. ANÁLISE PROPOSITIVA PARA AS COMUNIDADES DO RIO SAGRADO, MORRETES (PR): Zona de Educação para o Ecodesenvolvimento. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional - do Centro de Ciências Humanas e da Comunicação da Universidade Regional de Blumenau - FURB, como requisito parcial para obter o grau acadêmico de Mestre em Desenvolvimento Regional. Orientador: Prof. Dr. Carlos Alberto Cioce Sampaio. BLUMENAU 2009

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Identificação do Estado de Sucessão da Vegetação Na áreas de APP na Velha Grande e Velha Central

Justificativa: Mobilização social na gestão de riscos e de desastres - Gestão dos desastres é vista como um ciclo composto por quatro etapas prevenção, resposta e reconstrução. Gerenciamento de riscos e de desastres, implicando processos relacionados ao planejamento, a organização e ao controle de recursos, dos riscos e das vulnerabilidades sociais, marco de ação de Hyogo, Estratégias para redução de riscos e desastres, políticas de planejamento de desenvolvimento sustentável, instituições, mecanismos e capacidades, aumento a resiliência ante ás ameaças, redução de riscos e recuperação a afetados. (WCDR, 2005) A necessidade de criar uma cultura de seguridade e resistência ante aos desastres sucitou a importância, então, de incluir debates acerca da diversidade cultural e gênero, participação comunitária e desenvolvimento de competências e transferência de tecnologias. Resiliência ‘a capacidade de uma comunidade ou sociedade, potencialmente exposta a ameaças, para adaptar-se, resistindo ou modificando, ... (EIRD, 2004). Dois aspectos Resiliência organização comunitária e processo continuo de ensino e aprendizagem. Não vamos para o ginásio, naquele amontoado de gente. Vanderleia e seus três filhos foi uma das famílias que estão sendo notificadas no Morro Artur no Bairro Garcia. O protesto é da trabalhadora de serviços gerais Vanderleia Varella, 41 anos, mãe de três filhos, que mora há 18 anos no Morro do Artura, final da Rua Progresso no Distrito do Garcia em Blumenau. Ela é uma das oitenta famílias que foram notificadas pela Defesa Civil para deixarem o morro em função do perigo de deslizamentos. Doze tiveram que deixar o local e se abrigar numa escola na semana passada. Algumas famílias do Morro do Artur estão indo para a casa de parentes e amigos e, poquíssimas aceitam como última alternativa irem para um abrigo improvisado pela prefeitura de Blumenau na Escola Municipal Dom Pedro II no Bairro Progresso. - Precisamos de um tempo para achar uma casa para alugar. Mas para o ginásio não vamos - diz Vanderleia que prefere ser removida à força pela polícia, conforme prometeu a Defesa Civil para os casos em que houver resistência. Para o presidente da AEAMVI Juliano Gonçalves, a administração municipal age equivocadamente: - Não é assim que se resolve essa situação. Era necessário, conforme já advertimos bem antes da tragédia de 2008 um Plano de Habitação para essas famílias. É necessário tirar essas famílias das áreas de risco, mas é preciso dar a elas condições dignas de moradia. A prefeitura mais uma vez age de maneira equivocada. O local onde criou seus filhos durante 18 anos terá que ser abandonado imediatamente. Nas primeiras horas desta sexta-feira, a trabalhadora de serviços gerais Vanderleia Varella, 41 anos, separada, mãe de um rapaz de 19 anos, outro de 15 e de uma moça de 18 foi notificada pela Defesa Civil de Blumenau. Foi a primeira família a ser abordada nesta sexta-feira, por uma equipe multidisciplinar no alto do Morro do Artur, que passou de risco monitorado para risco iminente em função das chuvas que caíram na última semana. O trabalho prossegue neste sábado. Outra equipe trabalha no Bairro da Velha, onde situação semelhante acontece. No Morro do Artur são aproximadamente 100 famílias que vivem em área de risco, mas 35, que vivem em situação mais perigosa é que estão recebendo a determinação para abandonarem imediatamente suas casas. Na sexta-feira uma família se prontificou a deixar imediatamente o local. Outras resistem, a exemplo da de Vanderleia. - Meus meninos foram ver onde querem colocar a gente lá na escola e não gostaram. É um ginásio. Querem amontoar a gente num lugar só. Precisamos de um tempo para encontrar uma casa para alugar – protestou Vanderleia. Na manhã deste sábado ela estava apavorada porque chegara de uma reunião, no pé do morro, onde ouviu a informação de que a Polícia Militar iria retirá-los à força do local ainda neste sábado. O abrigo que a Defesa Civil montou para as famílias do Morro Artur fica na Escola Municipal Dom Pedro II. ( AEAMVI, 2011) Magali Moser se diz uma jornalista inquieta. Em fevereiro de 2007 ela e o o fotógrafo Jandir Nascimento percorreram 17 áreas de pobreza em Blumenau e publicaram no Jornal de Santa Catarina uma série de reportagem intitulada "Cidade Escondida". A produção chocou Blumenau, que até então era conhecida como uma cidade rica, berço da Oktoberfest, regada à chope e alegria. A inquietação de Magali prosseguiu e resultado num outro trabalho de fôlego: uma pesquisa feita à campo em 47 áreas de pobreza em Blumenau. Ela apurou que esse universo vai mais além. Mas preferiu ficar no que foi pesquisado. Trata-se de um trabalho científico, sem vínculo partidário, ou atrelado à algum setor da sociedade. Ela obteve o apoio da Fundação Cultural, que foi aprovado por um conselho. Mas o trabalho desenvolvido entre outubro do ano passado e março deste ano não foi fácil, conforme confessa Magali: - As condições geográficas de Blumenau contribuem para que a grande maioria das áreas de concentração de pobreza fique encoberta, atrás dos morros, em terrenos distantes. Não havia até então um levantamento, um estudo que desse a dimensão da pobreza na cidade. Os dados existentes até então eram muito imprecisos. Existiam poucos trabalhos sobre áreas específicas e não um estudo que mostrasse um panorama geral dessa questão. A partir dessas constatações, amadureci a idéia de desenvolver um estudo que servisse como fonte de pesquisa e consulta sobre o tema. Um dos principais avanços foi a produção de um mapa que identifica 47 áreas de concentração de pobreza em Blumenau. O mapa foi produzido com a ajuda da professora da Furb, assistente social e doutora em Geografia pela UFSC, Jacqueline Samagaia. - As dificuldades foram muitas... – prossegue Magali. - A começar pela ausência de dados. A própria prefeitura de Blumenau não dispõe de um levantamento sobre as áreas de concentração de pobreza na cidade. Somente depois de ter apresentado o projeto e de vê-lo aprovado eu realmente percebi o desafio que tinha pela frente. Havia muitas informações desencontradas nos setores da prefeitura e a pobreza é sempre um tema que, historicamente, as cidades preferem ocultar. Enfrentei outras resistências como a pressão do tempo, já que a proposta foi mapear as mais de 40 áreas de pobreza de Blumenau – e isso me exigiu obviamente fazer um trabalho de campo em todas elas – e eu tive apenas seis meses para a produção de toda a pesquisa, entrevistas e texto. Houve resistências também, me acusaram de tentar denegrir o turismo na cidade, essas coisas. Mas esse tipo de reação partiu de quem não conheceu a fundo a real proposta do projeto. A jornalista relata que uma das coisas que mais lhe impressionou ao conhecer melhor a realidade dessas comunidades foi perceber a capacidade de mobilização, luta e resistência de quem mora nessas áreas. O engajamento e a organização das associações de moradores na luta por direitos mínimos, como acesso à água, energia elétrica, serviços de saúde ou escola, por exemplo. - Os problemas de consumo e comércio de drogas que existem em algumas das áreas são uma demonstração clara de que a falta de políticas públicas nesses locais gera uma reação – frisa Magali. A sua declaração corrobora o que já disse Juliano Gonçalves em julho do ano passado. Os objetivos principais da pesquisa de Magali foram provocar a discussão sobre pobreza em Blumenau, dar voz aos moradores de áreas excluídas e chamar a atenção da cidade para isso, para que a sociedade tome consciência da pobreza. Segundo ela, além disso, a intenção foi desmistificar algumas idéias relacionadas ao tema. - O senso comum costuma associar a pobreza à migração, mas os dados do IBGE e do SIGAD, da Furb, mostram que o aumento da pobreza em Blumenau não se deve ao fato de a cidade ter empobrecido. A concentração de renda, o abismo entre pobres e ricos, é o que se acirrou – finalizou ao jornalista. Lei de APP? Objetivos Gerais Este estudo tem como propósito em aproximar a comunidade e suas organizações associativas, o poder estatal para sensibilizar na necessidade em construir a prevenção a partir de uma cultura de resiliência comunitária com potencialidade preventiva a exposição a ameaças, adaptando-se, resistindo ou modificando, com fim de alcançar ou manter um nível aceitável em seu funcionamento e estrutura. Objetivos específicos a) Mapear as áreas de ocupação humana em APP; b) Identificar o estado da vegetação local; c) Pesquisar os declives e com vulnerabilidades; d) Estudar a resiliência comunitárias nas APP dos Bairros Velha Grande e Velha Central Metodologia Cronograma Março de 2011 a março de 2012 Bibliografias Com Ciência Ambiental Dialogando para um mundo melhor, p. 78 a 89 caderno espacial ano 5, nº 28, 2010. ______________ www.concienciaambiental.com.br http://www.aeamvi.com.br/noticias-completa/--nao-vamos-para-o-ginasio-naquele-amontoado-de-gente. Acesso 10 de fevereiro de 2011.______________ http://www.aeamvi.com.br/noticias-completa/pesquisa-de-jornalista-mostra-uma-realidade-escondida-pela-omissao-governamental-o-processo-de-favelizacao-em-blumenau

Relevo e Declives de Blumenau estudando as localidades de risco e vulnerabilidade para pensar resiliência na ocupação da Grande Velha

Justificativa: Mobilização social na gestão de riscos e de desastres - Gestão dos desastres é vista como um ciclo composto por quatro etapas prevenção, resposta e reconstrução. Gerenciamento de riscos e de desastres, implicando processos relacionados ao planejamento, a organização e ao controle de recursos, dos riscos e das vulnerabilidades sociais, marco de ação de Hyogo, Estratégias para redução de riscos e desastres, políticas de planejamento de desenvolvimento sustentável, instituições, mecanismos e capacidades, aumento a resiliência ante ás ameaças, redução de riscos e recuperação a afetados. (WCDR, 2005) A necessidade de criar uma cultura de seguridade e resistência ante aos desastres sucitou a importância, então, de incluir debates acerca da diversidade cultural e gênero, participação comunitária e desenvolvimento de competências e transferência de tecnologias. Resiliência ‘a capacidade de uma comunidade ou sociedade, potencialmente exposta a ameaças, para adaptar-se, resistindo ou modificando, ... (EIRD, 2004). Dois aspectos Resiliência organização comunitária e processo continuo de ensino e aprendizagem. Não vamos para o ginásio, naquele amontoado de gente. Vanderleia e seus três filhos foi uma das famílias que estão sendo notificadas no Morro Artur no Bairro Garcia. O protesto é da trabalhadora de serviços gerais Vanderleia Varella, 41 anos, mãe de três filhos, que mora há 18 anos no Morro do Artura, final da Rua Progresso no Distrito do Garcia em Blumenau. Ela é uma das oitenta famílias que foram notificadas pela Defesa Civil para deixarem o morro em função do perigo de deslizamentos. Doze tiveram que deixar o local e se abrigar numa escola na semana passada. Algumas famílias do Morro do Artur estão indo para a casa de parentes e amigos e, poquíssimas aceitam como última alternativa irem para um abrigo improvisado pela prefeitura de Blumenau na Escola Municipal Dom Pedro II no Bairro Progresso. - Precisamos de um tempo para achar uma casa para alugar. Mas para o ginásio não vamos - diz Vanderleia que prefere ser removida à força pela polícia, conforme prometeu a Defesa Civil para os casos em que houver resistência. Para o presidente da AEAMVI Juliano Gonçalves, a administração municipal age equivocadamente: - Não é assim que se resolve essa situação. Era necessário, conforme já advertimos bem antes da tragédia de 2008 um Plano de Habitação para essas famílias. É necessário tirar essas famílias das áreas de risco, mas é preciso dar a elas condições dignas de moradia. A prefeitura mais uma vez age de maneira equivocada. O local onde criou seus filhos durante 18 anos terá que ser abandonado imediatamente. Nas primeiras horas desta sexta-feira, a trabalhadora de serviços gerais Vanderleia Varella, 41 anos, separada, mãe de um rapaz de 19 anos, outro de 15 e de uma moça de 18 foi notificada pela Defesa Civil de Blumenau. Foi a primeira família a ser abordada nesta sexta-feira, por uma equipe multidisciplinar no alto do Morro do Artur, que passou de risco monitorado para risco iminente em função das chuvas que caíram na última semana. O trabalho prossegue neste sábado. Outra equipe trabalha no Bairro da Velha, onde situação semelhante acontece. No Morro do Artur são aproximadamente 100 famílias que vivem em área de risco, mas 35, que vivem em situação mais perigosa é que estão recebendo a determinação para abandonarem imediatamente suas casas. Na sexta-feira uma família se prontificou a deixar imediatamente o local. Outras resistem, a exemplo da de Vanderleia. - Meus meninos foram ver onde querem colocar a gente lá na escola e não gostaram. É um ginásio. Querem amontoar a gente num lugar só. Precisamos de um tempo para encontrar uma casa para alugar – protestou Vanderleia. Na manhã deste sábado ela estava apavorada porque chegara de uma reunião, no pé do morro, onde ouviu a informação de que a Polícia Militar iria retirá-los à força do local ainda neste sábado. O abrigo que a Defesa Civil montou para as famílias do Morro Artur fica na Escola Municipal Dom Pedro II. ( AEAMVI, 2011) Magali Moser se diz uma jornalista inquieta. Em fevereiro de 2007 ela e o o fotógrafo Jandir Nascimento percorreram 17 áreas de pobreza em Blumenau e publicaram no Jornal de Santa Catarina uma série de reportagem intitulada "Cidade Escondida". A produção chocou Blumenau, que até então era conhecida como uma cidade rica, berço da Oktoberfest, regada à chope e alegria. A inquietação de Magali prosseguiu e resultado num outro trabalho de fôlego: uma pesquisa feita à campo em 47 áreas de pobreza em Blumenau. Ela apurou que esse universo vai mais além. Mas preferiu ficar no que foi pesquisado. Trata-se de um trabalho científico, sem vínculo partidário, ou atrelado à algum setor da sociedade. Ela obteve o apoio da Fundação Cultural, que foi aprovado por um conselho. Mas o trabalho desenvolvido entre outubro do ano passado e março deste ano não foi fácil, conforme confessa Magali: - As condições geográficas de Blumenau contribuem para que a grande maioria das áreas de concentração de pobreza fique encoberta, atrás dos morros, em terrenos distantes. Não havia até então um levantamento, um estudo que desse a dimensão da pobreza na cidade. Os dados existentes até então eram muito imprecisos. Existiam poucos trabalhos sobre áreas específicas e não um estudo que mostrasse um panorama geral dessa questão. A partir dessas constatações, amadureci a idéia de desenvolver um estudo que servisse como fonte de pesquisa e consulta sobre o tema. Um dos principais avanços foi a produção de um mapa que identifica 47 áreas de concentração de pobreza em Blumenau. O mapa foi produzido com a ajuda da professora da Furb, assistente social e doutora em Geografia pela UFSC, Jacqueline Samagaia. - As dificuldades foram muitas... – prossegue Magali. - A começar pela ausência de dados. A própria prefeitura de Blumenau não dispõe de um levantamento sobre as áreas de concentração de pobreza na cidade. Somente depois de ter apresentado o projeto e de vê-lo aprovado eu realmente percebi o desafio que tinha pela frente. Havia muitas informações desencontradas nos setores da prefeitura e a pobreza é sempre um tema que, historicamente, as cidades preferem ocultar. Enfrentei outras resistências como a pressão do tempo, já que a proposta foi mapear as mais de 40 áreas de pobreza de Blumenau – e isso me exigiu obviamente fazer um trabalho de campo em todas elas – e eu tive apenas seis meses para a produção de toda a pesquisa, entrevistas e texto. Houve resistências também, me acusaram de tentar denegrir o turismo na cidade, essas coisas. Mas esse tipo de reação partiu de quem não conheceu a fundo a real proposta do projeto. A jornalista relata que uma das coisas que mais lhe impressionou ao conhecer melhor a realidade dessas comunidades foi perceber a capacidade de mobilização, luta e resistência de quem mora nessas áreas. O engajamento e a organização das associações de moradores na luta por direitos mínimos, como acesso à água, energia elétrica, serviços de saúde ou escola, por exemplo. - Os problemas de consumo e comércio de drogas que existem em algumas das áreas são uma demonstração clara de que a falta de políticas públicas nesses locais gera uma reação – frisa Magali. A sua declaração corrobora o que já disse Juliano Gonçalves em julho do ano passado. Os objetivos principais da pesquisa de Magali foram provocar a discussão sobre pobreza em Blumenau, dar voz aos moradores de áreas excluídas e chamar a atenção da cidade para isso, para que a sociedade tome consciência da pobreza. Segundo ela, além disso, a intenção foi desmistificar algumas idéias relacionadas ao tema. - O senso comum costuma associar a pobreza à migração, mas os dados do IBGE e do SIGAD, da Furb, mostram que o aumento da pobreza em Blumenau não se deve ao fato de a cidade ter empobrecido. A concentração de renda, o abismo entre pobres e ricos, é o que se acirrou – finalizou ao jornalista. Objetivos Gerais Este estudo tem como propósito em aproximar a comunidade e suas organizações associativas, o poder estatal para sensibilizar na necessidade em construir a prevenção a partir de uma cultura de resiliência comunitária com potencialidade preventiva a exposição a ameaças, adaptando-se, resistindo ou modificando, com fim de alcançar ou manter um nível aceitável em seu funcionamento e estrutura. Objetivos específicos a) Identificar as áreas vulneráveis no relevo da região oeste de Blumenau; b) Mapear os declives dos bairros da Velha Grande e Velha Central; c) Estudar as localidades da ocupação do território em situação de risco; d) Pesquisar o grau de mobilização social e a resiliência comunitária. Metodologia Cronograma Março de 2011 a março de 2012 Bibliografias Com Ciência Ambiental Dialogando para um mundo melhor, p. 78 a 89 caderno espacial ano 5, nº 28, 2010. ______________ www.concienciaambiental.com.br http://www.aeamvi.com.br/noticias-completa/--nao-vamos-para-o-ginasio-naquele-amontoado-de-gente. Acesso 10 de fevereiro de 2011. ______________ http://www.aeamvi.com.br/noticias-completa/pesquisa-de-jornalista-mostra-uma-realidade-escondida-pela-omissao-governamental-o-processo-de-favelizacao-em-blumenau.

Etnografia da Velha Central: Estudo de Caso

Osni Valfredo Wagner Dr. Marilda C. G. da Silva Resumo A partir da História Oral com indivíduos selecionados na localidade da Velha Central Analisando o vale era local central de caça, depois foi por muito tempo espaço ocupado para atividade da produção agrícola, hoje a idéia de territorialidade é muito mais urbana do que territorialidade rural, podemos verificar vestígios no local que caracterizam a ruralidade e a agricultura. Palavras Chaves: SAÚDE - COTIDIANO – TERRITÓRIO Introdução O que comem hoje¿ O que comia e o que não se come mais¿ Quais hábitos culinários da mãe¿ O que comia na casa da mãe¿ Metodologia Pesquisa ação história oral no Bairro da Velha Central, a construção da identidade do final do século XIX, século XX e inicio do século XXI. Fundamentação teórica história do território A autora Ecléa Bosi apresenta duas memórias: “O passado conserva-se e, além de conservar-se, atua no presente, mas não de forma homogênea. De um lado, o corpo guarda esquemas de comportamentos de que se vale muitas vezes automaticamente na sua ação sobre as coisas: trata-se da memória-hábito, memória dos mecanismos motores. De outro lado, ocorrem lembranças independentes de quaisquer hábitos: lembranças isoladas, singulares, que constituiriam autênticas ressurreição do passado.” (Bosi, p. 48, 1994). Como se dá na prática a memória das pessoas o que Bosi apresenta como memória-hábito e o singular, essa analise contribui ao pesquisado em analisar o que os entrevistados respondem em uma pesquisa ação etnográfica a exemplo de Candido a seguir. A distribuição das glebas de terras entre famílias: O processo de colonização estrangeira a luta contra a natureza Com a fundação da colônia Blumenau instaura-se uma nova visão de natureza na região, forjada por meio do padrão ocupacional estabelecido pelo processo de colonização estrangeira (...) No vale do Itajaí (...) através da aquisição de pequenas glebas de terra e, (...) recrutados diretamente em diversos países da Europa (...) uma área que era ecologicamente diferente da região de origem (...) estabelecia lotes que variavam de 25 a 30 hectares como tamanho ideal para a fixação das famílias de imigrantes. (...) Os imigrantes tentaram adaptar as suas formas de manejo do solo às condições ambientais da região.a natureza, pois a floresta constitui um obstáculo de desenvolvimento da agricultura. (...) Como o passar do tempo, estas práticas de manejo dos solos mostram-se inadequadas, intensificando a busca de novos espaços e (...) uma pressão maior sobre os recursos naturais, que consideravam inesgotáveis. (...) O colono se comporta na natureza como um elemento que não faz parte da natureza (...) Mattedi, p. 30 e 33,2000). Em 1875, Ieski, era proprietário desde o então Terminal hoje até o Incano, era acordado na época que somente famílias oriundas do alemão poderiam comprar essas terras, aos poucos foram vendidas essas terras com objetivo de povoamento, permitindo a troca de produtos desenvolvendo essa localidade longe do então centro de Blumenau que caracterizava cidade. Uma picada no moro do macaco hoje, ‘alfberg’ (em alemão precisa ver a escrita certa com informantes) picada do macaco, a Velha Central que servia para caça, provavelmente essa picada a partir do Passo Manso pelo Rio Itajaí-Açú. As canoas eram o transporte que existia nessa época. Anos de 1950 e 1960, clima e desastres com furacões, geadas, seca e enxurradas: Segundo a entrevista com morador, o local foi alvejado por furacões em 1954, geadas e seca, a enxurrada de 1961, derruba potes do Ribeirão da Velha Central, Ribeirão Velha, atingindo o CCVC em um metro (1 mt), na Rua José Reuter lamina de água e cinqüenta centímetros (50 cm). A partir de 1963 até 1965 cerca de 31 famílias - 150 indivíduos receberam ajuda numa espécie de fome zero da época, cada família recebia em expécie de auxilio: 2 kg de trigo, 2 kg de fubá, 1 kg de leite, 1 kg de granulado, 750 g de manteiga e meio litro de azeite (lata); (para sete indivíduos). Aparece ainda no livre nas espécie de auxilio o queijo, batatinha, carne, chocolate, feijão, bulgur, roupas, sagu, açúcar, nesta ajuda alimentar do Núcleo Santa Cruz Velha Central Blumenau foi distribuído mês a mês de 09 de fevereiro de 1963 até 16 de outubro de 1965. A idéia de núcleo significa que existiam outros núcleos neste núcleo analisado aparece transferido para outro núcleo na cidade de Blumenau. Algumas páginas aparece além dos alimentos aparece a palavra recuperado. Economia Rural: Economia local baseada na agricultura de subsistência é forte em cerca de 15 famílias aparecem 28 sobrenomes, dos primeiros proprietários meados dos anos de 1960, na Velha central antiga propriedade de IESKI, Economia Extrativista: São quatro famílias que dominam o extrativismo madeireiro. A atividade do extrativismo da madeira tem força até os anos de 1970, já se pode ver programas do tipo ‘fome zero’ de 1962 até 1966; a maioria das famílias são da Velha Grande, local impróprio para a agricultura de subsistência, apenas o extrativismo serve como maneira de sobrevivência, as caçadas de tatu são conhecidas até hoje. Comparando a história oral com a pesquisa de Candido podemos ter uma visão mais clara da base alimentar na agricultura de subsistência no Vale do Itajaí, e em especial na Velha Central. O autor Antonio Candido analisa a subsistência em 1954, paulista A dieta do cardápio: “A carne de frango, que aparece três vezes na semana, (...); a carne de porco, que aparece duas vezes, (...) uma vez a carne de vaca e quati. A farinha, sempre de milho (...) troca uma alqueire de grão por outro de farinha, (...) o feijão e o arroz, (...) maçarão e manjuba (peixe), poucas vezes carne de vaca uma vez por mês; banha; café (100 1 ano); açúcar (3 sacos por ano); sal (1 saco por ano); pinga para uso da casa (1 garrafa de 15 em 15 dias).” (Candido, p. 132, 133, 1997). Na pagina 134 aparece à lingüiça, o tomate, a cebola, a batatinha, o ovo, carne tatuetê e pão frito. Na marmita como merenda no trabalho de concerto de estrada. Nomes da Famílias: por volta de 1879 por Iesky (iuguslavo) em ‘alemão’ Geske... Além da curiosidade que os sobrenomes em seus significados e origens é a distribuição no território na memória do local o entrevistado Orlando Theis descreve na seqüência o que era a Velha Central: Grahl, Vogelbacher, Hoemke, Bachamann, Franz Reuter, Reinold, Reuter, Germer Seefeld, Brehmer, Seefeld, Brehmer, Babel, Seibt, Zager, (Iscki) Geske. Müller, Bartel, Roepek, Vogel, Hzvdtung, Butzk, Roepek, Vogel, Hzvdtung, Butzk, ebien, Kstivn, Michemzun, Kort, Ciecielski, Ruediger. Estes sobrenomes são da memória do informante que foi aluno nos anos de 1954 na antiga Escola no local que é a igreja luterana, fundos da capela de 1932. ¹Orlando Treiss A lista 50 sobrenomes Babel, Bachmann, Bieging, Birr, Bornhoffen, Brandel, Brehmer, Bublitz, Butag, Butzke, Ergert, Gehrke, Germer, Geske, Grahl, Gielow, Hadlich, Hartung, Junger, Kauhn, Koch, Korte, Kluge, Loss, Michelmann, Müller, Orth, Persk, Petters, Preilipper, Reiter, Röpke, Rüdigir, Ruscler, Schneider, Schrader, Scröder, Seibt, Strese, Teske, Thomsen, Trapp, Trentin, Vetter, Weigmann, Weise, Wollinger e Zeger (Clube e Caça e Tiro Velha Central, 1 de maio de 1900). Outra lista além desses podemos observar os da Ação Social da Paróquia São Paulo Apostulo núcleo da Velha Central: Affonso Kratz e Erica Kratz e cinco filhos: Por volta de 1925 a cavalo por uma picada vinha-ce do centro da ‘cidade’ a cavalo João Durval Müller, conforme registro de Wally Geski, para lecionar.Na igreja luterana da Velha Central, na Rua José Reuter podemos ver a data de 1932, pelo história oral testemunho vivo Entrevistado¹ Schützenvrein Velha Tiefe, funcionava na Rua Bernardo Reiter num terreno pertencente a família Bachmann que pegou fogo e passou-se para um terreno da família Wehmuth em 1939 muda o nome para Atiradores Velha Fundos, em 1946 foi fechado, depois voltou como Sociedade esportiva Velha Central e depois Clube Caça e Tiro Velha Central². Dieta Alimentar da Velha Central 1- O que comem hoje¿ 2- O que comia e o que não se come mais¿ 3- Quais hábitos culinários da mãe¿ 4- O que comia na casa da mãe¿ A letra (E) será para Entrevista. O então Bairro da Velha Central, foi desbravado. A primeira (E)³ O que come hoje¿ O feijão, batata, o arroz, verduras e carne, verduras: O tomate, cenoura, brócolis e repolho, só não vai o nabo e pepino ataca estomago, carnes: de gado, suíno e frango pouco peixe. (E)4 O que come hoje¿ Carne la em casa só eu que compro: frango, suíno e de gado e o peixe, eu gosto de pescar, estava agora mesmo falando de pescaria. Um dia é frango, o outro dia é porco e o outro dia é gado ou peixe, Na minha casa nunca compro só um tipo de carne nunca fiz disso. Verduras têm que ter todo dia até cebola crua, meu filho come também deve ser por que como. Tudo de verdura que tem no feirão inclusive taiá frito com beicon feito salada até azedo, cozinha e esfria com cebola escalda e depois limão. Tipo de peixe que pesca¿ a tilapia é o que mais gosto! Hoje acha¿ a tilapia de lagoa, se for comprar no mercado a pescada, pescada refere-se ao peixe do mar. Eu como farinha, O que come do passado¿ meu pai come farinha todos os dias acho que ele não tem problemas de diabetes, colesterol. Dizem que a farinha é bom pra saúde gosto do peixe com farinha de mandioca. O Presidente4 da Associação de Moradores da Rua dos Caçadores revelou alguns sobrenomes de moradores mais antigos: Empke na José Reuter, Inita Morch, Trapp na Divinópolis, os Volgelbch tem alguns dos irmãos já faleceram, é da Transversal da José Reuter. O senhor Hadlich das baterias tem a roda d’água, os Brehmer em frente o Amigão na José Reuter, na Velha Central. A próxima entrevista pretendo fazer na residência do senhor Hadlich das baterias como é conhecido, é interessante que essa família tem algumas vacas e a roda d’água, que atualmente é utilizada para carregar baterias. Analise dos dados Os carboidratos são a biomoléculas mais abundantes na natureza, apresentam como formula geral [C(H2 O)n3 com ampla variedade de funções, entre elas: Fonte de energia Reserva de energia, estrutural e matéria-prima para a biossintese de outras biomoléculas. Pensar essa questão da química que colocamos em nosso organismo a partir dos alimentos, neste caso a analise perpassa pelos carboidratos, temos uma cultura de alimentação a base de carboidratos, requer uma habito cultural, a cultura de comer carboidratos. Essa cultura é uma cultura intergeracional de avos, pais e filhos. Perguntar por que se come determinado alimento na dieta alimentar¿ como o caso dos carboidratos como base da dieta alimentar faz com que se entenda a cultura que se tem como base alimentar, ao mesmo tempo é possível compreender as relações sociais que se tem em torno dessa cultura social como base alimentar de uma comunidade, que se relaciona na aquisição desse alimento e outras comunidades. A relação entre gerações de uma mesma família da comunidade faz compreender a importância que se dá a determinado alimento tanto na questão psicológica bem como a relação com a natureza a partir dos recursos naturais existentes no local. Essa relação entre avos, filhos e netos em se alimentar por dietas alimentares em comunidades tradicionais ou a partir de alimentos oriundos de comunidades tradicionais historicamente. Essa analise de cultura de dieta alimentar e relação sociais em torno da dieta alimentar diretamente nos indivíduos e relações com outros indivíduos e comunidades ³Mario Cesar 75 anos, mora 60 é católico anos em Blumenau veio de Florianópolis, 4Salezio Rheinzen 50 anos mora em Blumenau desde os 18 anos, nasceu em Tubarão foi para o Paraná com dois anos trabalha autônomo. 5Senhor Toninho Dieta alimentar tradicional intrergeracional O que se come hoje e o que se comia nas gerações anteriores? A cultura de se alimentar a base de tubérculos ainda é freqüente em alguns jovens a exemplo do taiá. Bem como a presença de hortaliças na dieta alimentar, a contribuição efetiva do hábitos dos avós, pais fazem com que os filhos se acostume a se alimentarem também da mandioca. As variações da carne de gado, de porco e frango, o peixe, passam muito mais pelo poder de compra. A salsicha, o ovo é escolhido também pela facilidade de preparo. O leite, o café, a margarina, queijo, mortadela e presuntos são para acompanhar no pão, tem a praticidade, mas é muitas vezes raro no dia-a-dia. O que se come no trabalho, o que se come em casa e o que se come finais de semana, são distintos. Como os alimentos agem em nosso organismo? A base da mandioca não apresenta problemas com colesterol, por outro lado a base de cabriodrato exemplo: a batata inglesa (engorda?); a base de feijão e arroz? Qual é o resultado dessa dieta para a saúde? A carne suína, a carne bovina, a carne de frango? Como agem no organismo humano como alimento de base. O alimento base que as famílias costumam ingerir, o alimento base é o alimento que se apresenta diariamente como principal, está presente na maioria das refeições em determinado grupo social, comunidade e ou sociedade. A partir das informações sobre a dieta alimentar se poderá verificar se esse cardápio é saudável, ou não sendo saudáveis se poderão verificar preventivamente as patologias do tipo: colesterol, diabetes, pressão alta, entre outros causados pelos alimentos que comemos diariamente. Outra analise pela química é a ação das proteínas (carne) em nosso organismo, estrutura de nossos ossos e músculos. As fibras dos carboidratos é outro alimento que estrutura o caso do feijão e a base de amido (milho, batatinha inglesa a ‘branca’). Podemos viver com carboidratos¿ ou é necessário viver com proteínas¿ Leguminosas, as verduras qual seu papel¿ as frutas em que contribui¿ Bibliografia BOSI, Ecléa MEMÓRIA E SOCIEDADE LEMBRANÇAS DE VELHO, 3ª ED. – São Paulo : Companhia das Letras, 1994. CANDIDO, Antonio OS PARCEIROS DO RIO BONITO: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida 8ª Ed. – São Paulo Ed. 34, 1997. Mattedi, p. 30, 2000. Silvio Coelho

Teologia da Libertação na América Latina

Osni Valfredo Wagner Resumo Este ensaio objetiva-se resgatar os conhecimentos sobre a teologia da libertação na America Latina em seus aspectos em sua gêneses e a expansão da teologia da libertação, novas perspectivas a partir das mudanças teóricas voltadas para o ecologismo, possibilidades de retrocessos e avanços sociais no campo dos direitos sociais, frente as mudanças estruturais da sociedade e das crises da modernidade. A teologia da libertação vem se reestruturando como modelo de embasamento da fé, da vida, da política, da libertação, do povo excluído. Desvendando o saber que está oculto nas relações de dominação que o modelo da globalização imprime nos indivíduos. De toda a sociedade tornando-se como pessoas mercadorias exploradas e dominadas. O que se espera é encontrar pistas para a práxis dos povos em busca de sua libertação de maneira original valorizando seus códigos da fé e da esperança por um mundo melhor para todos. Introdução Os trabalhos ecumênicos dos anos do exílio e reabertura política da América Latina que se deu início pelo golpe militar de 1964 no Brasil e a redemocratização a partir de 1979. As ações católicas passaram a ser um dos refúgios dos movimentos populares, e da esquerda brasileira. Fé e vida são uma das abordagens que me inicio nos anos de 1984, depois veio fé e política a partir de um sínodo dos jovens veio as Pastorais da Juventude seguida pela pastoral operária, hoje se tem as pastorais sociais das igrejas. Um pouco de História da teologia da libertação, sem pretensões em substituir a igreja num todo, a teologia da libertação de maneira espontânea passou a exercer um papel importante na formação religiosa dos anos de 1980 aos anos de 2010. E parece que tem uma possibilidade em continuar sendo expressão de um novo modelo de formação sobre o conhecimento sobre religiosidade, com objetivo em libertar os excluídos, podemos dizer que a teologia da libertação conseguiu fazer sua proposta inicial. E continua sendo um referencial de conscientização dos povos oprimidos em condição de minoria social no sentido de acesso as políticas, a possibilidade em aglutinar os ameríndios, os campesinos, as mulheres, afrodescendentes e homoafetivos. Liberdade religiosa e direitos humanos
Referencia:

sábado, 29 de janeiro de 2011

Lei da Economia Solidária quer dar mais direitos aos informais

Lages
Propostas para melhorias no processo da Economia Solidária e à criação de uma lei específica que garanta aos cidadãos incluídos neste sistema de produção, direitos e benefícios já concedidos a outros trabalhadores, foram discutidas ontem na 2ª Conferência Estadual da Economia Solidária.
Se aprovada a lei que está sendo formulada, pode dar aos trabalhadores informais, que se encaixam nos parâmetros da Economia Solidária, como artesãos e agricultores familiares, entre outros, a possibilidade de fazer financiamentos e ter acesso a alguns incentivos do governo.
A criação da Secretaria Nacional de Economia Solidária, ligada ao Ministério do Trabalho Emprego e Renda, fomentadora dos encontros, também pretende organizar participantes para que juntos, consigam obter mais resultados práticos na produção e comercialização dos seus produtos.
O coordenador da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), Maurício Sardá, comenta que o encontro vai elencar principais propostas que deverão estar inseridas na nova lei. Ele cita que já existe uma rede e empreendimentos em Santa Catarina que têm como base a Economia Solidária, e que o fortalecimento deste tipo de atividade é o objetivo das novas propostas.
Outra tendência é a união de trabalhadores para melhorar sua situação. “Hoje, há uma febre de coalizão, as pessoas estão entendendo que sozinhas, não conseguem resolver os seus problemas”, ressalta Sardá.
Reiterando que a elaboração da lei, tem como base o interesse mútuo de resolver problemas de diversos movimentos sociais. “O que falta são incentivos a estas pessoas”, garante. Segundo ele, a agricultura familiar, por exemplo, já tem seus benefícios, mas estes são oferecidos de forma individual a cada agricultor e não em ações coletivas que abrangem toda uma comunidade.
Mas o coordenador esclarece que os benefícios da lei serão oferecidos somente aos segmentos organizados e de pequeno porte. Não sendo estendido a produtores rurais que tenham grandes produções.
Segundo o representante, serão contemplados agricultores integrantes de associações e cooperativas de ajuda mútua. “A Política Nacional da Economia Solidária vai financiar e apoiar empreendimentos e nós, representantes, damos apoio e fomento para que eles desenvolvam suas atividades”, reitera Sardá.
O coordenador observa que encontros como este, são os provedores de diálogos entre o Estado e a sociedade. E explica que já aconteceram centenas de debates territoriais e regionais, sendo que dos encontros estaduais realizados por todo Brasil, estão sendo escolhidos os delegados. Eles irão representar as suas respectivas regiões na 2ª Conferência Nacional de Economia Solidária (Conaes), que acontece de 16 a 18 de junho de 2010, em Brasília. Com o tema “Pelo Direito de Produzir e Viver em Cooperação de Maneira Sustentável”.
O encontro nacional, entre outros assuntos, vai realizar um balanço sobre os avanços, limites e desafios da Economia Solidária e das Políticas Públicas envolvendo este método de produção.

Laranja tem alto índice antioxidante

alimentação & saúde

Comer uma laranja por dia pode impedir a manifestação de certos tipos de câncer, de acordo com um estudo australiano. A Organização de Pesquisa Industrial e Científica da Comunidade Britânica (CSIRO, na sigla em inglês) descobriu que consumir frutas cítricas pode reduzir o risco de câncer de boca, laringe e estômago em mais de 50%.

Uma porção extra de frutas cítricas diariamente, além das cinco porções de vegetais recomendadas por dia, pode também diminuir o risco de um derrame em 19%. O estudo australiano também descobriu "indícios convincentes" de que esses alimentos podem reduzir o risco de doenças cardiovasculares, obesidade e diabete. Segundo a pesquisadora Katrine Baghurst, a laranja é a fruta com o mais alto nível de antioxidantes, que apresentam propriedades antiinflamatórias, antitumor e inibem a formação de coágulos no sangue.

75% dos tipos de câncer podem ser prevenidos

Saúde

Má alimentação está associada

a cerca de 30% dos tumores

A medicina está avançando no combate ao câncer. Porém, a cura para todos os tipos de câncer é pouco provável no médio prazo. Apesar de terem algumas características em comum, os diversos tipos de tumores têm causas diferentes. Desvendar cada uma delas é o principal desafio da medicina nas próximas décadas. Por esses motivos, a prevenção e a detecção precoce da doença continuam sendo as principais armas contra a maioria dos tumores.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, até o final deste ano serão registrados no país cerca de 305 mil novos casos de câncer. Ao todo, 117 mil pessoas vão morrer vítimas da doença, que é a segunda maior causa de mortes no Brasil, só perdendo para os problemas cardiovasculares.

Apesar das estimativas, hoje, 75% dos cânceres podem ser prevenidos e 25% diagnosticados precocemente, de acordo com um levantamento do Hospital do Câncer de São Paulo. Fazem parte da lista dos que podem ser prevenidos alguns dos tumores de maior incidência no mundo, como o de pulmão (principal causa de morte pela doença), de pele, mama, próstata, colo-retal e útero. Pensando nisso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um alerta sobre a necessidade de colocar em prática medidas simples, e já bastante conhecidas, que ajudam a evitar o problema.

Segundo a OMS, cerca de 30% dos cânceres estão relacionados à alimentação. Dietas com muito sal, conservas e defumados elevam o risco de desenvolver tumores de estômago e colo-retal. Comidas calóricas, ricas em gordura animal e proteína, favorecem os tumores de cólon, próstata e mama.

Dieta - O consumo diário de 500 gramas de verduras e frutas pode diminuir em cerca de 25% a incidência de cânceres do trato digestivo. Esses alimentos também reduzem os riscos de desenvolver tumores da faringe, laringe e útero. Dietas ricas em vegetais ainda protegem contra tumores de cólon e reto. A ingestão de tomate e derivados diminui em até 35% o risco de câncer de próstata. O benefício é atribuído ao licopeno, um poderoso antioxidante. Diversos estudos mostram que o consumo diário de 80 gramas de carne vermelha e embutidos pode aumentar de 25% a 67% os riscos de desenvolver câncer colo-retal.

Pesquisas também já demonstraram a relação entre o excesso de peso e o risco de câncer. O resultado mais consistente diz respeito ao câncer de útero. O risco de desenvolver o tumor é de duas a seis vezes maior em mulheres obesas, antes e depois da menopausa.

O documento diz que, caso não forem modificadas as tendências atuais de hábitos alimentares inadequados e sedentarismo e mantida a quantidade de fumantes (ver matéria ao lado), o número de novos casos de câncer deve aumentar em 50% nos próximos 20 anos, chegando a 15 milhões em 2020. Apesar da evolução dos medicamentos e da maior probabilidade de eliminar os tumores, o custo e os benefícios de prevenir a doença continuam sendo melhores do que os de tratá-la.

Fonte:

http://www.esteditora.com.br/correio/4864/right.htm

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Redes sociais não fazem revolução

Revolução na Tunísia. Protestos no Egito e na Argélia. Acontecimentos que há muito tempo não se via na região. Será que os povos árabes estavam esperando a invenção do Twiter? Ou do Facebook? A julgar pela grande imprensa, sim.
Como disse Judith Orr, editora do jornal Socialist Worker:

Não devemos confundir um instrumento na luta com a luta em si. O Twitter não forçou Ben Ali a fugir do país que governou por 23 anos. Assim como não foram paredes pichadas ou folhetos que derrubaram o czar da Rússia em 1917.

Dizer que as redes sociais tornaram possível as revoltas que vêm ocorrendo é um exagero proposital. Procura esconder as contradições concretas que levam povos a se rebelar. De acordo as Nações Unidas, uma em cada três pessoas no mundo árabe vive abaixo da linha da pobreza.
A Tunísia tem uma economia considerada dinâmica. Deve crescer quase 5% este ano. Mas, dados do FMI dizem que o país tem uma taxa de desemprego de 14%. O dobro disso para jovens até 25 anos.
A economia do Egito cresceu acima dos 7% nos últimos anos. Na última classificação do Banco Mundial sobre ambiente para negócios, o país subiu 5 posições. Mas 40% da população vive abaixo da linha da pobreza.
Tudo isso é fruto de políticas neoliberais aplicadas por ditaduras queridinhas do imperialismo europeu e estadunidense.
É verdade que as redes sociais vêm tendo seu funcionamento dificultado na região. Mas, é assim que ditaduras e governos ameaçados costumam reagir. Se preciso, fecham ou censuram meios de comunicação. Às vezes, até aqueles que são de sua confiança.
Claro que censurar a internete é bem mais difícil. Um problema que o capitalismo criou para si mesmo. Uma situação que devemos aproveitar. O problema é que quase tudo que circula nas redes sociais tem conteúdo conservador. Muito consumismo, preconceitos, ofensas, ignorância.
Redes sociais não fazem revolução. Em geral, atrapalham.
Um bom texto sobre a questão é A revolução não será tuitada, de Malcolm Gladwell
Sérgio Domingues

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

SEGREGAÇÃO DE CLASSE SOCIAL

As soluções fácies para resolver os problemas sociais dos trabalhadores e sua prole, observa-se as atitudes governamentais de agentes com uma retórica simplista de basta não reprovar ou fazer revisão paralela durante o ano e está tudo resolvido. Não se analisando as condições que se tem para que de fato se tenha uma aprendizagem. Soluções mais complexas são estruturais como escolas integral com atividades culturais, ou apenas um reforçoextra classe em horários alternados seria bem vindo. Protagonismo cultural como estimulos a auto estima, a independência e compromisso com suas obrigações de estudantes. É claro que necessitamos de mudanças também estruturais de toda a sociedade a garantia de emprego por exemplo, ou apenas acesso igual ao trabalho e renda para todas as pessoas na sociedade, em vez do atual sistema de classe socias que vivemos atualmente. O sociólogo Jessé de Souza no livro a ralé brasileira: quem é e como vive? O autor faz estudo empírico e teoricamente, estudou uma classe que nunca havia sido adequadamente percebida pelo nosso debate político. Os problemas estruturais da "ralé" são esquecidos por uma discurssão fragmentada na qual essa "classe" aparece pelas suas pontas do "iceberg", como "indivdíuos" carrentes ou perigosos, dignas de pena ou de ódio. O autor chama de "economia emocional" o sucesso na escola, disciplina, autocontrole, pensamento propositivo e capacidade de concentração. Sem essa "economia emocional" peculiar, não há apropriação de capital cultural possível, chamado de capital cultural. Então não é a falta de escola que condenavam a ralé do fracasso escolar, mas a falta de certas "disposições de classe" como a "falta de capacidade de concentração". Ao conviver com familias desses jovens, vimos que os pais nunca liam um jornal ou revista e sempre brincavam com os filhos com carinho de mão de pedreiro e coisa semelhante. Como todos nós nos formamos, como pessoas "afetivamente" pela imitação de quem e daquilo que amamos, o que o pai ensina ao filho era o destino de serem trabalhadores manuais sem qualificação. Dizer que estudar é coisa importante, o testemunho serve sem exemplo prático dos bons efeitos da escola? A partir dessa herança tão desigual de disposições e capacidades, uma classe já "chega vencedora" na escola, enquanto outra chega predestinada ao "fracasso". O que isso tem a ver com "mérito individual"?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Estudar para exame final 2010: Sociologia

- Globalização: mundialização financeira e comércio entre nações, - Neoliberalismo: reformas econômicas – implantadas em diversos países capitalistas centrais e periféricos: limitação das despesas do estado, estimulando o fim de todos os subsídios à agricultura ou indústria; - liberação do mercado financeiro, do comércio, investimentos estrangeiros; privatização das despesas estatais, patentes, reformas tributárias e trabalhistas. -Desemprego estrutural: automação a robótica com a diminuição do emprego, muda a estrutura; - Projeto: Tema, justificativa, objetivo geral, objetivo especifico, método, cronograma e bibliografia. -Preconceito, discriminação, racismo, xenofobia e homofobia; -Clássicos da Sociologia: Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim -Método: Dialética – crítica, Positivismo – generalização e sentido; -Clássicos da Sociologia Brasileira: Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Fernando de Azevedo; -Alienação: Social, econômicas e intelectual. -Ideologia: idéia dominante como ponto de vista de todos, exemplo: não trabalha quem não quer ou nova classe média. -Cidadania: Souza participar, cobrar, propor e pressionar, Saviani direito e dever consciência -Política isonomia (igualdade perante a lei) isegoria ( direito expor)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Greve do Transporte Coletivo!‏

Em assembléia hoje pela manhã, o sindicato dos empregados das empresas permissionárias do transporte coletivo urbano de Blumenau (sindetranscol) fez uma proposta a sua categoria, a qual foi aceita. Demonstrando sua preocupação com a população o sindicato propôs que a categoria volte ao trabalho com 100% da frota em funcionamento desde que seja com a catraca livre, uma forma de continuar a greve sem prejudicar a população, mas a proposta não foi aceita pelas empresas, no entanto estas mesmas empresas vêm a público expressar sua preocupação com os usuários, mas diante deste comportamento da para concluir que a preocupação não é com os usuários e sim com o lucro perdido com a paralisação dos ônibus (atualmente 118.000 mil pessoas usam o transporte coletivo em Blumenau em dias úteis o que multiplicado pelo valor de 2 passagens diárias R$ 5,10 terá um total diário de 601,800 mil reais). O sindicato vem tendo êxito em suas lutas e isso é ruim para as empresas e para o poder público de nosso município, pois é muito mais fácil manter a população “alienada” quando não se tem ninguém reivindicando, os sindicatos de Blumenau se tornaram uma pedra no sapato dos donos de empresas e do nosso prefeito que está fazendo o que bem entende com o município(privatização do esgoto, privatização do transporte público, terceirização da merenda escolar, expulsão dos vendedores ambulantes da área central da cidade, tratando as famílias que continuam em abrigos como um ciclo encerrado, etc.), onde vamos parar desta forma? Este é o projeto para Blumenau 2050? Assistindo as sessões na Câmara de Vereadores de Blumenau, escuto alguns Vereadores que foram eleitos pelo povo para defender seus direitos, dizendo que se deve acabar com os Sindicatos. Pergunto-me quem irá mobilizar o povo diante das barbaridades que estão sendo impostas nesta cidade? Com certeza não serão os Vereadores da base do governo, que estão se beneficiando ao seguirem as orientações provenientes do gabinete do Prefeito. E está claro que a intenção do poder público e das empresas do transporte é enfraquecer o sindicato, o qual está batalhando por melhorias nas condições de trabalho de sua base e para melhorar a qualidade do transporte público de nossa cidade beneficiando toda a população. Estela G. Zeferino.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Intolerância Religiosa

Intolerância Religiosa: o Exu, a Professora e o Tabu

http://blogln.ning.com/profiles/blogs/intolerancia-religiosa-o-exu-a

Por que Jesus pode entrar na escola e Exu não pode?

Este é um artigo de Stela Guedes Caputo

No dia 27 de outubro de 2009, um jornal carioca destacou o caso da professora Maria Cristina Marques proibida de dar aulas em uma escola municipal, no Rio, porque utilizava o livro “Lendas de Exu”. A professora é umbandista e a diretora dessa escola é evangélica. Maria Cristina relatou diversas humilhações, desde ser acusada por mães de alunos de fazer “apologia ao Diabo” à colocação de um provérbio bíblico na sala dos professores chamando-a de mentirosa. Ao lerem a notícia deste caso, certamente muitos sentiram na pele as humilhações sofridas por Maria Cristina. Isso porque é muito comum que professores e professoras, alunos e alunas praticantes de candomblé ou umbanda sejam discriminados nas escolas.

A questão é complexa e podemos fazer muitas perguntas a respeito, mas farei aqui apenas uma: por que Jesus pode entrar na escola e Exu não pode? Por que um Jesus louro, coberto por uma túnica branca, pode estar em um dos livros da coleção para o Ensino Religioso católico, destinada à rede pública e lançada em 2007 pela Cúria Diocesana? A resposta que tenho não agrada. Exu não entra na escola porque este país é racista e, por isso, o racismo está presente na escola. Também acredito que atravessamos uma fase de avanço significativo dos setores conservadores na educação pública. A manutenção da oferta do ensino religioso na Constituição de 88, a aprovação deste como confessional no Rio, o lançamento dos livros didáticos católicos em 2007, a Concordata Brasil-Vaticano aprovada pelo Senado em outubro deste ano. Tudo parece fragmentado, mas não é. Trata-se de vitórias lentas e sigilosas que ampliam, reforçam e legitimam as circunstâncias necessárias para que a discriminação sofrida por Maria Cristina continue sendo uma prática bastante comum em nossas escolas públicas.

A Mãe-de-santo e escritora Beata de Yemanjá, acredita que a discriminação de sua religião acontece porque “pensam que o Brasil é uma coisa só. Por isso nos discriminam e a nossas religiões. Isso é racismo”, diz ela. O pesquisador Antônio Sérgio Guimarães concorda e defende em diversos livros que qualquer estudo sobre racismo em nosso país deve começar por notar que, aqui, o racismo foi, até recentemente, um tabu e que os brasileiros se imaginam numa democracia racial, fonte de orgulho nacional que serve como prova de nosso status de povo civilizado. Para este autor, essa pretensão a um anti-racismo institucional e as regras de pertença nacional suprimiram referências a sentimentos étnicos, raciais e comunitários, contribuindo para a nação brasileira imaginada numa conformidade cultural em termos de religião, raça, etnicidade e língua. É por isso que este autor, entre outros, acha que o racismo brasileiro é do tipo heterofóbico, ou seja, um racismo que é a negação absoluta das diferenças, que pressupõe uma avaliação negativa de toda diferença, implicando um ideal (explícito ou não) de homogeneidade (ou uma coisa só, como diz Beata).

Quando a diretora de uma escola proíbe um livro de lendas africanas ela quer apagar a diversidade presente na sociedade e na escola, quer silenciar culturas não hegemônicas, como as afro-descendentes. Mas como, se a professora discriminada é branca? A professora é branca, mas Exu é negro. Um poderoso e imenso orixá negro. É o orixá mais próximo dos seres humanos porque representa a vontade, o desejo, a sexualidade, a dúvida. Por que esses sentimentos não são bem-vindos na escola? Por que a igreja católica tratou de associá-lo ao mal e ao Diabo (ao seu Diabo) e muitas escolas incorporam essa lógica conservadora, moralista, hipócrita e racista. Exu, no livro proibido, afirma que este país tem negros com diferentes culturas que se entendidas como modos de vida, podem incluir diferentes modos de ver, crer, sentir, entender e explicar a vida. Isso não pode, porque na escola só entra o Jesus lourinho dos livros didáticos católicos (esses são bem-vindos). Positivo foi que muitos professores e professoras se manifestaram contra o ocorrido. Além disso, a Secretaria Municipal de Macaé publicou nota criticando a discriminação e apoiando a professora, o que evidencia, da mesma forma, que a escola não é “uma coisa só”. Por isso, é nas suas tensões cotidianas que devemos fazer, também cotidianamente, a luta contra o racismo de todo tipo, inclusive este, disfarçado de intolerância religiosa.

Para encerrar podemos fazer novas perguntas: a professora silenciada lecionava literatura. Digamos que ensinasse História da África, como ensinar essa disciplina tornada obrigatória? Amputando suas culturas, entre elas, o candomblé e seu riquíssimo panteão de orixás? Alguém questiona quando a disciplina de História fala do catolicismo? Da reforma protestante? Esses conteúdos fazem parte do ensino regular de História (por isso, entre outras coisas, o Ensino Religioso não é necessário). As culturas com suas religiões também fazem parte do ensino de História da África. Como é que vai ser? Pais e professores arrancarão as páginas desses livros? Ou eles já serão confeccionados mutilados pelo racismo? Respondo com a saudação ao orixá excluído da escola (só podia ser ele a armar tudo isso): Laro oyê Exu! Para que ele traga mais confusão e com ela, o movimento, a comunicação e a transformação onde reina.

http://meujazz.wordpress.com/2010/01/24/por-que-jesus-pode-entrar-na-escola-e-exu-nao-pode/

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Democracia

Muitos dos objetos de reflexão teórica e de investigação empírica das ciências sociais sofrem, é claro, as injunções das circunstâncias históricas em que emergem, como temas preferenciais da pauta acadêmica. A democracia – "essa velha senhora", como a chamou Bobbio – não tem sido exceção, na Ciência Política que se pratica entre nós.

É certo que a história nunca a deixou em paz. Na condição de democracia liberal ou democracia representativa, que chegou com o Estado constitucional do XIX, sofreu a crítica das palavras e das armas, por parte do comunismo e especialmente do nazi-fascismo, na primeira metade do XX. No segundo pós-guerra, quando parecia triunfante, talvez definitiva, sofreu novos achaques quando um arquipélago de regimes autoritários aflorou na Europa e na América Latina, nos anos sessenta e setenta.

Quase concomitantemente, os arranjos institucionais do chamado corporativismo societal, que haviam viabilizado direitos sociais em larga escala no auge do período fordisto-keynesiano, foram postos em questão pela crise fiscal do Welfare State. As políticas de "ajuste estrutural" que se seguiram, no capitalismo central, não apenas questionaram direitos, mas valeram-se de instrumentos institucionais de caráter francamente autoritário. Do mesmo modo, na periferia capitalista, nas décadas de 1980 e 1990, a institucionalização de uma ordem democrática após as "transições desde regimes autoritários" patinou em meio às dívidas externas e à corrosão inflacionária (resultantes da crise do modelo desenvolvimentista) em muitos países. A dependência que então se estabeleceu desses países para com os organismos multilaterais de financiamento redundou também em desregulamentação de direitos e novos instrumentos autoritários de gestão.

Com tantas idas e vindas na ossatura das democracias mundo afora, não é de admirar que a literatura especializada, mesmo considerando-se as obras mais influentes, tenha sido marcada pelas injunções conjunturais.

É verdade que Robert Dahl demonstrou, em seu Poliarquia (DAHL, 1971), que ao longo do século XX aumentou o número de países democráticos, apesar do desenvolvimento desigual dos eixos da institucionalização e da participação. Mas é bom lembrar que a assertiva refere-se a um conceito "mínimo" de democracia, estritamente político. Quando agregamos a dimensão econômico-social do problema, fica difícil pensar no século XX como o "século dos direitos sociais", em seqüência ao XVIII dos direitos civis e ao XIX dos políticos, conforme a célebre generalização de T. H. Marshall em seu Cidadania, classe social e status (MARSHALL, 1967). Essa incompletude no desenvolvimento da cidadania (se é que o termo "incompletude" faz algum sentido) certamente jogou muita água fria nas expectativas mais otimistas sobre o enraizamento e o aprofundamento da democracia.

É claro que em um cenário assim não poderiam faltar, na literatura do último quartel do século XX, questionamentos à eficácia do regime democrático em processar demandas sociais e à sua capacidade de dar-lhes respostas efetivas sem "sobrecarregar" o sistema e sem gerar "paralisia decisória" ou, pior ainda, "ingovernabilidade". Samuel Huntington foi peremptório a respeito, em The Crisis of Democracy (CROZIER, HUNTINGTON & WATANUKI, 1975): democracia boa é democracia bem comportada. Para ele, a estabilidade e a longevidade dos regimes democráticos dependeria da prevalência de certa dose de "apatia política" da sociedade. Na América Latina, inclusive no Brasil, a mobilização "excessiva" dos setores populares, como se sabe, foi um dos elementos do caldo de cultura que gerou os golpes autoritários.

É assim que a literatura sobre transição de regime viu-se obrigada a levar em conta essa dimensão societal dos conflitos da transição. Isso ocorreu no paradigmático Transições do regime autoritário (O'DONNELL & SCHMITTER, 1988), lançada nos anos 1980, embora o modelo "transição-consolidação" democráticas tenha induzido uma preocupação predominantemente institucional. O que importava naquele momento, dadas as injunções conjunturais, era descrever a dinâmica dos processos de desmontagem paulatina e substituição gradual das engrenagens dos regimes de exceção e estabelecer qual o ponto a partir do que seria possível falar em restabelecimento da "normalidade" do regime democrático. Nesse sentido, mesmo quando a dimensão social e econômica era levada em conta, o que importava era definir o grau de permeabilidade do sistema político às demandas societais e sua capacidade de processamento.

Mas, é claro, nem só de instituições é feita a democracia. E como a Coruja de Minerva só levanta vôo ao anoitecer, parece que estamos chegando a um momento em que o distanciamento desses processos de transição de regime, bem como a diversificação temática da produção em Ciência Política no Brasil, têm permitido um tratamento multifacetado do fenômeno democrático.

Hoje talvez tenhamos mais ouvidos para ouvir quando Fábio Wanderley Reis lembra-nos que, embora possamos utilizar concepções "minimalistas" de democracia em nossos experimentos intelectuais, "se houver grande desigualdade social, como a que existe no Brasil, por exemplo, isso naturalmente vai significar que diferentes indivíduos estarão controlando quantidades muito desiguais de recursos na esfera privada, e que haverá, portanto, um desequilíbrio privado de poder que tornará problemático o exercício efetivo dos direitos políticos e civis" (REIS, 2003, p. 12).

Súmula desse despertar para as múltiplas facetas da questão, Democracia: teoria e prática, organizado por Renato Perissinotto e Mário Fuks, a partir de um seminário realizado na Universidade Federal do Paraná, não tem o mérito único de atentar para aspectos econômicos e sociais, além dos político-institucionais. Talvez a comunicação mais representativa dos esforços contidos no livro seja a de Renato Lessa, ao apontar a necessidade de resgatar a invenção intelectual caudatária da tradição da Filosofia Política, como complemento indispensável à investigação empírica acerca da democracia. Afinal, "a história da Ciência Política é em grande medida uma história de tentativas de elucidação de fatos e artefatos postos no mundo por teorias. Esse é o ponto que eu acho mais interessante: fatos e artefatos institucionais que decorrem de invenções intelectuais. Não há razões históricas, teóricas ou filosóficas capazes de sustentar a separação da dimensão empírica com relação à dimensão filosófica, normativa e especulativa da teoria política. Se nós pensarmos um pouco sobre a história dos nossos objetos, essa história vai revelar que eles decorrem em grande medida de invenções" (LESSA, 2003, p. 40; grifos no original).

É assim, de fato, que os esforços desdobram-se ao longo do volume: democracia como invenção cultural, como invenção institucional, como invenção de modos de vida.

O próprio capítulo dedicado ao problema institucional, centrado no caso do sistema partidário, é prenhe dessa perspectiva geral. Fernando Limonge sublinha o fato de que a engenharia de reformas institucionais proposta por uma certa vertente da Ciência Política brasileira após o declínio da literatura sobre "transição" e "consolidação" ancora-se, de modo inconfesso, justamente na concepção segundo a qual é preciso forjar instituições que moderem o "excesso de demandas" para garantir a "governabilidade". "O ponto de apoio das propostas de engenharia institucional é o de que os interesses e os valores das massas que ingressam em um sistema político em democratização conspiram contra a manutenção dessa mesma ordem. As demandas das massas não podem ser atendidas. A condição para a preservação da ordem democrática é a moderação dessas demandas. Para isso, segundo essa visão, cabe desenhar as instituições adequadas, instituições capazes de neutralizar e moderar a pressão das massas" (LIMONGE, 2003, p. 65). O autor faz a crítica dessa literatura conservadora, desnudando as "invenções intelectuais" que estão na raiz dos "artefatos institucionais" propostos pelos engenheiros.

Complementarmente, o eixo da intervenção de Evelina Dagnino (2003) está posto na constituição de espaços públicos de participação social nos processos de tomada de decisão políticos, tanto os destinados a colocar em pauta novos temas à discussão pública quanto os destinados a constituírem-se em canais institucionais de absorção e processamento de demandas. Na fala de Dagnino os movimentos não são observados apenas em sua faceta disruptiva com relação à ordem autoritária, mas como construtores de espaços novos de participação política. O que se destaca é justamente o fato de que a incorporação da participação social em contextos democráticos pode redundar em invenção institucional – invenção que deve ser acompanhada do apoio oferecido pela "crença em sua legitimidade", para usar a expressão weberiana. Nas palavras de Marcello Baquero, "os dilemas atuais do Brasil, no campo da consolidação plena da cidadania, não podem ser resolvidos única e exclusivamente pela institucionalização de procedimentos chamados democráticos, mas também por um processo que proporcione a construção de uma base normativa de apoio e valorização dessas instituições" (BAQUERO, 2003, p. 134).

Não há aqui espaço para um comentário circunstanciado acerca da perspectiva de cada uma das intervenções reunidas no livro. Penso que o raciocínio acima vale para a discussão sobre implementação de políticas sociais (de Marta Arretche), sobre problemas urbanos (de Luiz Ribeiro e Orlando Santos Jr.) e para os estudos de caso sobre conselhos gestores de políticas públicas, no Paraná (de Renato Perissinoto e de Mário Fuks) e em Porto Alegre (de Soraya Côrtes).

Mesmo contando com contribuições de acadêmicos de formações amplamente variadas, a convergência básica da coletânea está no desapego dos autores a modelos pré-estabelecidos e na ousadia do pensamento.

O livro é, em suma, um belo retrato do refinamento a que pode chegar a Ciência Política no tratamento do fenômeno democrático, seja ontologicamente – ao destacar em conjunto suas dimensões político-institucional, social, cultural etc. –, seja heuristicamente – ao assinalar a importância vital da convergência entre os instrumentos de investigação empírica e a invenção filosófica.

Fonte:

RODRIGUES, Alberto Tosi, A democracia como invenção política

Revista de Sociologia e Política

Print version ISSN 0104-4478

Rev. Sociol. Polit. no.22 Curitiba June 2004.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-44782004000100015&script=sci_arttext