sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Identificação do Estado de Sucessão da Vegetação Na áreas de APP na Velha Grande e Velha Central

Justificativa: Mobilização social na gestão de riscos e de desastres - Gestão dos desastres é vista como um ciclo composto por quatro etapas prevenção, resposta e reconstrução. Gerenciamento de riscos e de desastres, implicando processos relacionados ao planejamento, a organização e ao controle de recursos, dos riscos e das vulnerabilidades sociais, marco de ação de Hyogo, Estratégias para redução de riscos e desastres, políticas de planejamento de desenvolvimento sustentável, instituições, mecanismos e capacidades, aumento a resiliência ante ás ameaças, redução de riscos e recuperação a afetados. (WCDR, 2005) A necessidade de criar uma cultura de seguridade e resistência ante aos desastres sucitou a importância, então, de incluir debates acerca da diversidade cultural e gênero, participação comunitária e desenvolvimento de competências e transferência de tecnologias. Resiliência ‘a capacidade de uma comunidade ou sociedade, potencialmente exposta a ameaças, para adaptar-se, resistindo ou modificando, ... (EIRD, 2004). Dois aspectos Resiliência organização comunitária e processo continuo de ensino e aprendizagem. Não vamos para o ginásio, naquele amontoado de gente. Vanderleia e seus três filhos foi uma das famílias que estão sendo notificadas no Morro Artur no Bairro Garcia. O protesto é da trabalhadora de serviços gerais Vanderleia Varella, 41 anos, mãe de três filhos, que mora há 18 anos no Morro do Artura, final da Rua Progresso no Distrito do Garcia em Blumenau. Ela é uma das oitenta famílias que foram notificadas pela Defesa Civil para deixarem o morro em função do perigo de deslizamentos. Doze tiveram que deixar o local e se abrigar numa escola na semana passada. Algumas famílias do Morro do Artur estão indo para a casa de parentes e amigos e, poquíssimas aceitam como última alternativa irem para um abrigo improvisado pela prefeitura de Blumenau na Escola Municipal Dom Pedro II no Bairro Progresso. - Precisamos de um tempo para achar uma casa para alugar. Mas para o ginásio não vamos - diz Vanderleia que prefere ser removida à força pela polícia, conforme prometeu a Defesa Civil para os casos em que houver resistência. Para o presidente da AEAMVI Juliano Gonçalves, a administração municipal age equivocadamente: - Não é assim que se resolve essa situação. Era necessário, conforme já advertimos bem antes da tragédia de 2008 um Plano de Habitação para essas famílias. É necessário tirar essas famílias das áreas de risco, mas é preciso dar a elas condições dignas de moradia. A prefeitura mais uma vez age de maneira equivocada. O local onde criou seus filhos durante 18 anos terá que ser abandonado imediatamente. Nas primeiras horas desta sexta-feira, a trabalhadora de serviços gerais Vanderleia Varella, 41 anos, separada, mãe de um rapaz de 19 anos, outro de 15 e de uma moça de 18 foi notificada pela Defesa Civil de Blumenau. Foi a primeira família a ser abordada nesta sexta-feira, por uma equipe multidisciplinar no alto do Morro do Artur, que passou de risco monitorado para risco iminente em função das chuvas que caíram na última semana. O trabalho prossegue neste sábado. Outra equipe trabalha no Bairro da Velha, onde situação semelhante acontece. No Morro do Artur são aproximadamente 100 famílias que vivem em área de risco, mas 35, que vivem em situação mais perigosa é que estão recebendo a determinação para abandonarem imediatamente suas casas. Na sexta-feira uma família se prontificou a deixar imediatamente o local. Outras resistem, a exemplo da de Vanderleia. - Meus meninos foram ver onde querem colocar a gente lá na escola e não gostaram. É um ginásio. Querem amontoar a gente num lugar só. Precisamos de um tempo para encontrar uma casa para alugar – protestou Vanderleia. Na manhã deste sábado ela estava apavorada porque chegara de uma reunião, no pé do morro, onde ouviu a informação de que a Polícia Militar iria retirá-los à força do local ainda neste sábado. O abrigo que a Defesa Civil montou para as famílias do Morro Artur fica na Escola Municipal Dom Pedro II. ( AEAMVI, 2011) Magali Moser se diz uma jornalista inquieta. Em fevereiro de 2007 ela e o o fotógrafo Jandir Nascimento percorreram 17 áreas de pobreza em Blumenau e publicaram no Jornal de Santa Catarina uma série de reportagem intitulada "Cidade Escondida". A produção chocou Blumenau, que até então era conhecida como uma cidade rica, berço da Oktoberfest, regada à chope e alegria. A inquietação de Magali prosseguiu e resultado num outro trabalho de fôlego: uma pesquisa feita à campo em 47 áreas de pobreza em Blumenau. Ela apurou que esse universo vai mais além. Mas preferiu ficar no que foi pesquisado. Trata-se de um trabalho científico, sem vínculo partidário, ou atrelado à algum setor da sociedade. Ela obteve o apoio da Fundação Cultural, que foi aprovado por um conselho. Mas o trabalho desenvolvido entre outubro do ano passado e março deste ano não foi fácil, conforme confessa Magali: - As condições geográficas de Blumenau contribuem para que a grande maioria das áreas de concentração de pobreza fique encoberta, atrás dos morros, em terrenos distantes. Não havia até então um levantamento, um estudo que desse a dimensão da pobreza na cidade. Os dados existentes até então eram muito imprecisos. Existiam poucos trabalhos sobre áreas específicas e não um estudo que mostrasse um panorama geral dessa questão. A partir dessas constatações, amadureci a idéia de desenvolver um estudo que servisse como fonte de pesquisa e consulta sobre o tema. Um dos principais avanços foi a produção de um mapa que identifica 47 áreas de concentração de pobreza em Blumenau. O mapa foi produzido com a ajuda da professora da Furb, assistente social e doutora em Geografia pela UFSC, Jacqueline Samagaia. - As dificuldades foram muitas... – prossegue Magali. - A começar pela ausência de dados. A própria prefeitura de Blumenau não dispõe de um levantamento sobre as áreas de concentração de pobreza na cidade. Somente depois de ter apresentado o projeto e de vê-lo aprovado eu realmente percebi o desafio que tinha pela frente. Havia muitas informações desencontradas nos setores da prefeitura e a pobreza é sempre um tema que, historicamente, as cidades preferem ocultar. Enfrentei outras resistências como a pressão do tempo, já que a proposta foi mapear as mais de 40 áreas de pobreza de Blumenau – e isso me exigiu obviamente fazer um trabalho de campo em todas elas – e eu tive apenas seis meses para a produção de toda a pesquisa, entrevistas e texto. Houve resistências também, me acusaram de tentar denegrir o turismo na cidade, essas coisas. Mas esse tipo de reação partiu de quem não conheceu a fundo a real proposta do projeto. A jornalista relata que uma das coisas que mais lhe impressionou ao conhecer melhor a realidade dessas comunidades foi perceber a capacidade de mobilização, luta e resistência de quem mora nessas áreas. O engajamento e a organização das associações de moradores na luta por direitos mínimos, como acesso à água, energia elétrica, serviços de saúde ou escola, por exemplo. - Os problemas de consumo e comércio de drogas que existem em algumas das áreas são uma demonstração clara de que a falta de políticas públicas nesses locais gera uma reação – frisa Magali. A sua declaração corrobora o que já disse Juliano Gonçalves em julho do ano passado. Os objetivos principais da pesquisa de Magali foram provocar a discussão sobre pobreza em Blumenau, dar voz aos moradores de áreas excluídas e chamar a atenção da cidade para isso, para que a sociedade tome consciência da pobreza. Segundo ela, além disso, a intenção foi desmistificar algumas idéias relacionadas ao tema. - O senso comum costuma associar a pobreza à migração, mas os dados do IBGE e do SIGAD, da Furb, mostram que o aumento da pobreza em Blumenau não se deve ao fato de a cidade ter empobrecido. A concentração de renda, o abismo entre pobres e ricos, é o que se acirrou – finalizou ao jornalista. Lei de APP? Objetivos Gerais Este estudo tem como propósito em aproximar a comunidade e suas organizações associativas, o poder estatal para sensibilizar na necessidade em construir a prevenção a partir de uma cultura de resiliência comunitária com potencialidade preventiva a exposição a ameaças, adaptando-se, resistindo ou modificando, com fim de alcançar ou manter um nível aceitável em seu funcionamento e estrutura. Objetivos específicos a) Mapear as áreas de ocupação humana em APP; b) Identificar o estado da vegetação local; c) Pesquisar os declives e com vulnerabilidades; d) Estudar a resiliência comunitárias nas APP dos Bairros Velha Grande e Velha Central Metodologia Cronograma Março de 2011 a março de 2012 Bibliografias Com Ciência Ambiental Dialogando para um mundo melhor, p. 78 a 89 caderno espacial ano 5, nº 28, 2010. ______________ www.concienciaambiental.com.br http://www.aeamvi.com.br/noticias-completa/--nao-vamos-para-o-ginasio-naquele-amontoado-de-gente. Acesso 10 de fevereiro de 2011.______________ http://www.aeamvi.com.br/noticias-completa/pesquisa-de-jornalista-mostra-uma-realidade-escondida-pela-omissao-governamental-o-processo-de-favelizacao-em-blumenau

Relevo e Declives de Blumenau estudando as localidades de risco e vulnerabilidade para pensar resiliência na ocupação da Grande Velha

Justificativa: Mobilização social na gestão de riscos e de desastres - Gestão dos desastres é vista como um ciclo composto por quatro etapas prevenção, resposta e reconstrução. Gerenciamento de riscos e de desastres, implicando processos relacionados ao planejamento, a organização e ao controle de recursos, dos riscos e das vulnerabilidades sociais, marco de ação de Hyogo, Estratégias para redução de riscos e desastres, políticas de planejamento de desenvolvimento sustentável, instituições, mecanismos e capacidades, aumento a resiliência ante ás ameaças, redução de riscos e recuperação a afetados. (WCDR, 2005) A necessidade de criar uma cultura de seguridade e resistência ante aos desastres sucitou a importância, então, de incluir debates acerca da diversidade cultural e gênero, participação comunitária e desenvolvimento de competências e transferência de tecnologias. Resiliência ‘a capacidade de uma comunidade ou sociedade, potencialmente exposta a ameaças, para adaptar-se, resistindo ou modificando, ... (EIRD, 2004). Dois aspectos Resiliência organização comunitária e processo continuo de ensino e aprendizagem. Não vamos para o ginásio, naquele amontoado de gente. Vanderleia e seus três filhos foi uma das famílias que estão sendo notificadas no Morro Artur no Bairro Garcia. O protesto é da trabalhadora de serviços gerais Vanderleia Varella, 41 anos, mãe de três filhos, que mora há 18 anos no Morro do Artura, final da Rua Progresso no Distrito do Garcia em Blumenau. Ela é uma das oitenta famílias que foram notificadas pela Defesa Civil para deixarem o morro em função do perigo de deslizamentos. Doze tiveram que deixar o local e se abrigar numa escola na semana passada. Algumas famílias do Morro do Artur estão indo para a casa de parentes e amigos e, poquíssimas aceitam como última alternativa irem para um abrigo improvisado pela prefeitura de Blumenau na Escola Municipal Dom Pedro II no Bairro Progresso. - Precisamos de um tempo para achar uma casa para alugar. Mas para o ginásio não vamos - diz Vanderleia que prefere ser removida à força pela polícia, conforme prometeu a Defesa Civil para os casos em que houver resistência. Para o presidente da AEAMVI Juliano Gonçalves, a administração municipal age equivocadamente: - Não é assim que se resolve essa situação. Era necessário, conforme já advertimos bem antes da tragédia de 2008 um Plano de Habitação para essas famílias. É necessário tirar essas famílias das áreas de risco, mas é preciso dar a elas condições dignas de moradia. A prefeitura mais uma vez age de maneira equivocada. O local onde criou seus filhos durante 18 anos terá que ser abandonado imediatamente. Nas primeiras horas desta sexta-feira, a trabalhadora de serviços gerais Vanderleia Varella, 41 anos, separada, mãe de um rapaz de 19 anos, outro de 15 e de uma moça de 18 foi notificada pela Defesa Civil de Blumenau. Foi a primeira família a ser abordada nesta sexta-feira, por uma equipe multidisciplinar no alto do Morro do Artur, que passou de risco monitorado para risco iminente em função das chuvas que caíram na última semana. O trabalho prossegue neste sábado. Outra equipe trabalha no Bairro da Velha, onde situação semelhante acontece. No Morro do Artur são aproximadamente 100 famílias que vivem em área de risco, mas 35, que vivem em situação mais perigosa é que estão recebendo a determinação para abandonarem imediatamente suas casas. Na sexta-feira uma família se prontificou a deixar imediatamente o local. Outras resistem, a exemplo da de Vanderleia. - Meus meninos foram ver onde querem colocar a gente lá na escola e não gostaram. É um ginásio. Querem amontoar a gente num lugar só. Precisamos de um tempo para encontrar uma casa para alugar – protestou Vanderleia. Na manhã deste sábado ela estava apavorada porque chegara de uma reunião, no pé do morro, onde ouviu a informação de que a Polícia Militar iria retirá-los à força do local ainda neste sábado. O abrigo que a Defesa Civil montou para as famílias do Morro Artur fica na Escola Municipal Dom Pedro II. ( AEAMVI, 2011) Magali Moser se diz uma jornalista inquieta. Em fevereiro de 2007 ela e o o fotógrafo Jandir Nascimento percorreram 17 áreas de pobreza em Blumenau e publicaram no Jornal de Santa Catarina uma série de reportagem intitulada "Cidade Escondida". A produção chocou Blumenau, que até então era conhecida como uma cidade rica, berço da Oktoberfest, regada à chope e alegria. A inquietação de Magali prosseguiu e resultado num outro trabalho de fôlego: uma pesquisa feita à campo em 47 áreas de pobreza em Blumenau. Ela apurou que esse universo vai mais além. Mas preferiu ficar no que foi pesquisado. Trata-se de um trabalho científico, sem vínculo partidário, ou atrelado à algum setor da sociedade. Ela obteve o apoio da Fundação Cultural, que foi aprovado por um conselho. Mas o trabalho desenvolvido entre outubro do ano passado e março deste ano não foi fácil, conforme confessa Magali: - As condições geográficas de Blumenau contribuem para que a grande maioria das áreas de concentração de pobreza fique encoberta, atrás dos morros, em terrenos distantes. Não havia até então um levantamento, um estudo que desse a dimensão da pobreza na cidade. Os dados existentes até então eram muito imprecisos. Existiam poucos trabalhos sobre áreas específicas e não um estudo que mostrasse um panorama geral dessa questão. A partir dessas constatações, amadureci a idéia de desenvolver um estudo que servisse como fonte de pesquisa e consulta sobre o tema. Um dos principais avanços foi a produção de um mapa que identifica 47 áreas de concentração de pobreza em Blumenau. O mapa foi produzido com a ajuda da professora da Furb, assistente social e doutora em Geografia pela UFSC, Jacqueline Samagaia. - As dificuldades foram muitas... – prossegue Magali. - A começar pela ausência de dados. A própria prefeitura de Blumenau não dispõe de um levantamento sobre as áreas de concentração de pobreza na cidade. Somente depois de ter apresentado o projeto e de vê-lo aprovado eu realmente percebi o desafio que tinha pela frente. Havia muitas informações desencontradas nos setores da prefeitura e a pobreza é sempre um tema que, historicamente, as cidades preferem ocultar. Enfrentei outras resistências como a pressão do tempo, já que a proposta foi mapear as mais de 40 áreas de pobreza de Blumenau – e isso me exigiu obviamente fazer um trabalho de campo em todas elas – e eu tive apenas seis meses para a produção de toda a pesquisa, entrevistas e texto. Houve resistências também, me acusaram de tentar denegrir o turismo na cidade, essas coisas. Mas esse tipo de reação partiu de quem não conheceu a fundo a real proposta do projeto. A jornalista relata que uma das coisas que mais lhe impressionou ao conhecer melhor a realidade dessas comunidades foi perceber a capacidade de mobilização, luta e resistência de quem mora nessas áreas. O engajamento e a organização das associações de moradores na luta por direitos mínimos, como acesso à água, energia elétrica, serviços de saúde ou escola, por exemplo. - Os problemas de consumo e comércio de drogas que existem em algumas das áreas são uma demonstração clara de que a falta de políticas públicas nesses locais gera uma reação – frisa Magali. A sua declaração corrobora o que já disse Juliano Gonçalves em julho do ano passado. Os objetivos principais da pesquisa de Magali foram provocar a discussão sobre pobreza em Blumenau, dar voz aos moradores de áreas excluídas e chamar a atenção da cidade para isso, para que a sociedade tome consciência da pobreza. Segundo ela, além disso, a intenção foi desmistificar algumas idéias relacionadas ao tema. - O senso comum costuma associar a pobreza à migração, mas os dados do IBGE e do SIGAD, da Furb, mostram que o aumento da pobreza em Blumenau não se deve ao fato de a cidade ter empobrecido. A concentração de renda, o abismo entre pobres e ricos, é o que se acirrou – finalizou ao jornalista. Objetivos Gerais Este estudo tem como propósito em aproximar a comunidade e suas organizações associativas, o poder estatal para sensibilizar na necessidade em construir a prevenção a partir de uma cultura de resiliência comunitária com potencialidade preventiva a exposição a ameaças, adaptando-se, resistindo ou modificando, com fim de alcançar ou manter um nível aceitável em seu funcionamento e estrutura. Objetivos específicos a) Identificar as áreas vulneráveis no relevo da região oeste de Blumenau; b) Mapear os declives dos bairros da Velha Grande e Velha Central; c) Estudar as localidades da ocupação do território em situação de risco; d) Pesquisar o grau de mobilização social e a resiliência comunitária. Metodologia Cronograma Março de 2011 a março de 2012 Bibliografias Com Ciência Ambiental Dialogando para um mundo melhor, p. 78 a 89 caderno espacial ano 5, nº 28, 2010. ______________ www.concienciaambiental.com.br http://www.aeamvi.com.br/noticias-completa/--nao-vamos-para-o-ginasio-naquele-amontoado-de-gente. Acesso 10 de fevereiro de 2011. ______________ http://www.aeamvi.com.br/noticias-completa/pesquisa-de-jornalista-mostra-uma-realidade-escondida-pela-omissao-governamental-o-processo-de-favelizacao-em-blumenau.

Etnografia da Velha Central: Estudo de Caso

Osni Valfredo Wagner Dr. Marilda C. G. da Silva Resumo A partir da História Oral com indivíduos selecionados na localidade da Velha Central Analisando o vale era local central de caça, depois foi por muito tempo espaço ocupado para atividade da produção agrícola, hoje a idéia de territorialidade é muito mais urbana do que territorialidade rural, podemos verificar vestígios no local que caracterizam a ruralidade e a agricultura. Palavras Chaves: SAÚDE - COTIDIANO – TERRITÓRIO Introdução O que comem hoje¿ O que comia e o que não se come mais¿ Quais hábitos culinários da mãe¿ O que comia na casa da mãe¿ Metodologia Pesquisa ação história oral no Bairro da Velha Central, a construção da identidade do final do século XIX, século XX e inicio do século XXI. Fundamentação teórica história do território A autora Ecléa Bosi apresenta duas memórias: “O passado conserva-se e, além de conservar-se, atua no presente, mas não de forma homogênea. De um lado, o corpo guarda esquemas de comportamentos de que se vale muitas vezes automaticamente na sua ação sobre as coisas: trata-se da memória-hábito, memória dos mecanismos motores. De outro lado, ocorrem lembranças independentes de quaisquer hábitos: lembranças isoladas, singulares, que constituiriam autênticas ressurreição do passado.” (Bosi, p. 48, 1994). Como se dá na prática a memória das pessoas o que Bosi apresenta como memória-hábito e o singular, essa analise contribui ao pesquisado em analisar o que os entrevistados respondem em uma pesquisa ação etnográfica a exemplo de Candido a seguir. A distribuição das glebas de terras entre famílias: O processo de colonização estrangeira a luta contra a natureza Com a fundação da colônia Blumenau instaura-se uma nova visão de natureza na região, forjada por meio do padrão ocupacional estabelecido pelo processo de colonização estrangeira (...) No vale do Itajaí (...) através da aquisição de pequenas glebas de terra e, (...) recrutados diretamente em diversos países da Europa (...) uma área que era ecologicamente diferente da região de origem (...) estabelecia lotes que variavam de 25 a 30 hectares como tamanho ideal para a fixação das famílias de imigrantes. (...) Os imigrantes tentaram adaptar as suas formas de manejo do solo às condições ambientais da região.a natureza, pois a floresta constitui um obstáculo de desenvolvimento da agricultura. (...) Como o passar do tempo, estas práticas de manejo dos solos mostram-se inadequadas, intensificando a busca de novos espaços e (...) uma pressão maior sobre os recursos naturais, que consideravam inesgotáveis. (...) O colono se comporta na natureza como um elemento que não faz parte da natureza (...) Mattedi, p. 30 e 33,2000). Em 1875, Ieski, era proprietário desde o então Terminal hoje até o Incano, era acordado na época que somente famílias oriundas do alemão poderiam comprar essas terras, aos poucos foram vendidas essas terras com objetivo de povoamento, permitindo a troca de produtos desenvolvendo essa localidade longe do então centro de Blumenau que caracterizava cidade. Uma picada no moro do macaco hoje, ‘alfberg’ (em alemão precisa ver a escrita certa com informantes) picada do macaco, a Velha Central que servia para caça, provavelmente essa picada a partir do Passo Manso pelo Rio Itajaí-Açú. As canoas eram o transporte que existia nessa época. Anos de 1950 e 1960, clima e desastres com furacões, geadas, seca e enxurradas: Segundo a entrevista com morador, o local foi alvejado por furacões em 1954, geadas e seca, a enxurrada de 1961, derruba potes do Ribeirão da Velha Central, Ribeirão Velha, atingindo o CCVC em um metro (1 mt), na Rua José Reuter lamina de água e cinqüenta centímetros (50 cm). A partir de 1963 até 1965 cerca de 31 famílias - 150 indivíduos receberam ajuda numa espécie de fome zero da época, cada família recebia em expécie de auxilio: 2 kg de trigo, 2 kg de fubá, 1 kg de leite, 1 kg de granulado, 750 g de manteiga e meio litro de azeite (lata); (para sete indivíduos). Aparece ainda no livre nas espécie de auxilio o queijo, batatinha, carne, chocolate, feijão, bulgur, roupas, sagu, açúcar, nesta ajuda alimentar do Núcleo Santa Cruz Velha Central Blumenau foi distribuído mês a mês de 09 de fevereiro de 1963 até 16 de outubro de 1965. A idéia de núcleo significa que existiam outros núcleos neste núcleo analisado aparece transferido para outro núcleo na cidade de Blumenau. Algumas páginas aparece além dos alimentos aparece a palavra recuperado. Economia Rural: Economia local baseada na agricultura de subsistência é forte em cerca de 15 famílias aparecem 28 sobrenomes, dos primeiros proprietários meados dos anos de 1960, na Velha central antiga propriedade de IESKI, Economia Extrativista: São quatro famílias que dominam o extrativismo madeireiro. A atividade do extrativismo da madeira tem força até os anos de 1970, já se pode ver programas do tipo ‘fome zero’ de 1962 até 1966; a maioria das famílias são da Velha Grande, local impróprio para a agricultura de subsistência, apenas o extrativismo serve como maneira de sobrevivência, as caçadas de tatu são conhecidas até hoje. Comparando a história oral com a pesquisa de Candido podemos ter uma visão mais clara da base alimentar na agricultura de subsistência no Vale do Itajaí, e em especial na Velha Central. O autor Antonio Candido analisa a subsistência em 1954, paulista A dieta do cardápio: “A carne de frango, que aparece três vezes na semana, (...); a carne de porco, que aparece duas vezes, (...) uma vez a carne de vaca e quati. A farinha, sempre de milho (...) troca uma alqueire de grão por outro de farinha, (...) o feijão e o arroz, (...) maçarão e manjuba (peixe), poucas vezes carne de vaca uma vez por mês; banha; café (100 1 ano); açúcar (3 sacos por ano); sal (1 saco por ano); pinga para uso da casa (1 garrafa de 15 em 15 dias).” (Candido, p. 132, 133, 1997). Na pagina 134 aparece à lingüiça, o tomate, a cebola, a batatinha, o ovo, carne tatuetê e pão frito. Na marmita como merenda no trabalho de concerto de estrada. Nomes da Famílias: por volta de 1879 por Iesky (iuguslavo) em ‘alemão’ Geske... Além da curiosidade que os sobrenomes em seus significados e origens é a distribuição no território na memória do local o entrevistado Orlando Theis descreve na seqüência o que era a Velha Central: Grahl, Vogelbacher, Hoemke, Bachamann, Franz Reuter, Reinold, Reuter, Germer Seefeld, Brehmer, Seefeld, Brehmer, Babel, Seibt, Zager, (Iscki) Geske. Müller, Bartel, Roepek, Vogel, Hzvdtung, Butzk, Roepek, Vogel, Hzvdtung, Butzk, ebien, Kstivn, Michemzun, Kort, Ciecielski, Ruediger. Estes sobrenomes são da memória do informante que foi aluno nos anos de 1954 na antiga Escola no local que é a igreja luterana, fundos da capela de 1932. ¹Orlando Treiss A lista 50 sobrenomes Babel, Bachmann, Bieging, Birr, Bornhoffen, Brandel, Brehmer, Bublitz, Butag, Butzke, Ergert, Gehrke, Germer, Geske, Grahl, Gielow, Hadlich, Hartung, Junger, Kauhn, Koch, Korte, Kluge, Loss, Michelmann, Müller, Orth, Persk, Petters, Preilipper, Reiter, Röpke, Rüdigir, Ruscler, Schneider, Schrader, Scröder, Seibt, Strese, Teske, Thomsen, Trapp, Trentin, Vetter, Weigmann, Weise, Wollinger e Zeger (Clube e Caça e Tiro Velha Central, 1 de maio de 1900). Outra lista além desses podemos observar os da Ação Social da Paróquia São Paulo Apostulo núcleo da Velha Central: Affonso Kratz e Erica Kratz e cinco filhos: Por volta de 1925 a cavalo por uma picada vinha-ce do centro da ‘cidade’ a cavalo João Durval Müller, conforme registro de Wally Geski, para lecionar.Na igreja luterana da Velha Central, na Rua José Reuter podemos ver a data de 1932, pelo história oral testemunho vivo Entrevistado¹ Schützenvrein Velha Tiefe, funcionava na Rua Bernardo Reiter num terreno pertencente a família Bachmann que pegou fogo e passou-se para um terreno da família Wehmuth em 1939 muda o nome para Atiradores Velha Fundos, em 1946 foi fechado, depois voltou como Sociedade esportiva Velha Central e depois Clube Caça e Tiro Velha Central². Dieta Alimentar da Velha Central 1- O que comem hoje¿ 2- O que comia e o que não se come mais¿ 3- Quais hábitos culinários da mãe¿ 4- O que comia na casa da mãe¿ A letra (E) será para Entrevista. O então Bairro da Velha Central, foi desbravado. A primeira (E)³ O que come hoje¿ O feijão, batata, o arroz, verduras e carne, verduras: O tomate, cenoura, brócolis e repolho, só não vai o nabo e pepino ataca estomago, carnes: de gado, suíno e frango pouco peixe. (E)4 O que come hoje¿ Carne la em casa só eu que compro: frango, suíno e de gado e o peixe, eu gosto de pescar, estava agora mesmo falando de pescaria. Um dia é frango, o outro dia é porco e o outro dia é gado ou peixe, Na minha casa nunca compro só um tipo de carne nunca fiz disso. Verduras têm que ter todo dia até cebola crua, meu filho come também deve ser por que como. Tudo de verdura que tem no feirão inclusive taiá frito com beicon feito salada até azedo, cozinha e esfria com cebola escalda e depois limão. Tipo de peixe que pesca¿ a tilapia é o que mais gosto! Hoje acha¿ a tilapia de lagoa, se for comprar no mercado a pescada, pescada refere-se ao peixe do mar. Eu como farinha, O que come do passado¿ meu pai come farinha todos os dias acho que ele não tem problemas de diabetes, colesterol. Dizem que a farinha é bom pra saúde gosto do peixe com farinha de mandioca. O Presidente4 da Associação de Moradores da Rua dos Caçadores revelou alguns sobrenomes de moradores mais antigos: Empke na José Reuter, Inita Morch, Trapp na Divinópolis, os Volgelbch tem alguns dos irmãos já faleceram, é da Transversal da José Reuter. O senhor Hadlich das baterias tem a roda d’água, os Brehmer em frente o Amigão na José Reuter, na Velha Central. A próxima entrevista pretendo fazer na residência do senhor Hadlich das baterias como é conhecido, é interessante que essa família tem algumas vacas e a roda d’água, que atualmente é utilizada para carregar baterias. Analise dos dados Os carboidratos são a biomoléculas mais abundantes na natureza, apresentam como formula geral [C(H2 O)n3 com ampla variedade de funções, entre elas: Fonte de energia Reserva de energia, estrutural e matéria-prima para a biossintese de outras biomoléculas. Pensar essa questão da química que colocamos em nosso organismo a partir dos alimentos, neste caso a analise perpassa pelos carboidratos, temos uma cultura de alimentação a base de carboidratos, requer uma habito cultural, a cultura de comer carboidratos. Essa cultura é uma cultura intergeracional de avos, pais e filhos. Perguntar por que se come determinado alimento na dieta alimentar¿ como o caso dos carboidratos como base da dieta alimentar faz com que se entenda a cultura que se tem como base alimentar, ao mesmo tempo é possível compreender as relações sociais que se tem em torno dessa cultura social como base alimentar de uma comunidade, que se relaciona na aquisição desse alimento e outras comunidades. A relação entre gerações de uma mesma família da comunidade faz compreender a importância que se dá a determinado alimento tanto na questão psicológica bem como a relação com a natureza a partir dos recursos naturais existentes no local. Essa relação entre avos, filhos e netos em se alimentar por dietas alimentares em comunidades tradicionais ou a partir de alimentos oriundos de comunidades tradicionais historicamente. Essa analise de cultura de dieta alimentar e relação sociais em torno da dieta alimentar diretamente nos indivíduos e relações com outros indivíduos e comunidades ³Mario Cesar 75 anos, mora 60 é católico anos em Blumenau veio de Florianópolis, 4Salezio Rheinzen 50 anos mora em Blumenau desde os 18 anos, nasceu em Tubarão foi para o Paraná com dois anos trabalha autônomo. 5Senhor Toninho Dieta alimentar tradicional intrergeracional O que se come hoje e o que se comia nas gerações anteriores? A cultura de se alimentar a base de tubérculos ainda é freqüente em alguns jovens a exemplo do taiá. Bem como a presença de hortaliças na dieta alimentar, a contribuição efetiva do hábitos dos avós, pais fazem com que os filhos se acostume a se alimentarem também da mandioca. As variações da carne de gado, de porco e frango, o peixe, passam muito mais pelo poder de compra. A salsicha, o ovo é escolhido também pela facilidade de preparo. O leite, o café, a margarina, queijo, mortadela e presuntos são para acompanhar no pão, tem a praticidade, mas é muitas vezes raro no dia-a-dia. O que se come no trabalho, o que se come em casa e o que se come finais de semana, são distintos. Como os alimentos agem em nosso organismo? A base da mandioca não apresenta problemas com colesterol, por outro lado a base de cabriodrato exemplo: a batata inglesa (engorda?); a base de feijão e arroz? Qual é o resultado dessa dieta para a saúde? A carne suína, a carne bovina, a carne de frango? Como agem no organismo humano como alimento de base. O alimento base que as famílias costumam ingerir, o alimento base é o alimento que se apresenta diariamente como principal, está presente na maioria das refeições em determinado grupo social, comunidade e ou sociedade. A partir das informações sobre a dieta alimentar se poderá verificar se esse cardápio é saudável, ou não sendo saudáveis se poderão verificar preventivamente as patologias do tipo: colesterol, diabetes, pressão alta, entre outros causados pelos alimentos que comemos diariamente. Outra analise pela química é a ação das proteínas (carne) em nosso organismo, estrutura de nossos ossos e músculos. As fibras dos carboidratos é outro alimento que estrutura o caso do feijão e a base de amido (milho, batatinha inglesa a ‘branca’). Podemos viver com carboidratos¿ ou é necessário viver com proteínas¿ Leguminosas, as verduras qual seu papel¿ as frutas em que contribui¿ Bibliografia BOSI, Ecléa MEMÓRIA E SOCIEDADE LEMBRANÇAS DE VELHO, 3ª ED. – São Paulo : Companhia das Letras, 1994. CANDIDO, Antonio OS PARCEIROS DO RIO BONITO: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida 8ª Ed. – São Paulo Ed. 34, 1997. Mattedi, p. 30, 2000. Silvio Coelho

Teologia da Libertação na América Latina

Osni Valfredo Wagner Resumo Este ensaio objetiva-se resgatar os conhecimentos sobre a teologia da libertação na America Latina em seus aspectos em sua gêneses e a expansão da teologia da libertação, novas perspectivas a partir das mudanças teóricas voltadas para o ecologismo, possibilidades de retrocessos e avanços sociais no campo dos direitos sociais, frente as mudanças estruturais da sociedade e das crises da modernidade. A teologia da libertação vem se reestruturando como modelo de embasamento da fé, da vida, da política, da libertação, do povo excluído. Desvendando o saber que está oculto nas relações de dominação que o modelo da globalização imprime nos indivíduos. De toda a sociedade tornando-se como pessoas mercadorias exploradas e dominadas. O que se espera é encontrar pistas para a práxis dos povos em busca de sua libertação de maneira original valorizando seus códigos da fé e da esperança por um mundo melhor para todos. Introdução Os trabalhos ecumênicos dos anos do exílio e reabertura política da América Latina que se deu início pelo golpe militar de 1964 no Brasil e a redemocratização a partir de 1979. As ações católicas passaram a ser um dos refúgios dos movimentos populares, e da esquerda brasileira. Fé e vida são uma das abordagens que me inicio nos anos de 1984, depois veio fé e política a partir de um sínodo dos jovens veio as Pastorais da Juventude seguida pela pastoral operária, hoje se tem as pastorais sociais das igrejas. Um pouco de História da teologia da libertação, sem pretensões em substituir a igreja num todo, a teologia da libertação de maneira espontânea passou a exercer um papel importante na formação religiosa dos anos de 1980 aos anos de 2010. E parece que tem uma possibilidade em continuar sendo expressão de um novo modelo de formação sobre o conhecimento sobre religiosidade, com objetivo em libertar os excluídos, podemos dizer que a teologia da libertação conseguiu fazer sua proposta inicial. E continua sendo um referencial de conscientização dos povos oprimidos em condição de minoria social no sentido de acesso as políticas, a possibilidade em aglutinar os ameríndios, os campesinos, as mulheres, afrodescendentes e homoafetivos. Liberdade religiosa e direitos humanos
Referencia:

sábado, 29 de janeiro de 2011

Lei da Economia Solidária quer dar mais direitos aos informais

Lages
Propostas para melhorias no processo da Economia Solidária e à criação de uma lei específica que garanta aos cidadãos incluídos neste sistema de produção, direitos e benefícios já concedidos a outros trabalhadores, foram discutidas ontem na 2ª Conferência Estadual da Economia Solidária.
Se aprovada a lei que está sendo formulada, pode dar aos trabalhadores informais, que se encaixam nos parâmetros da Economia Solidária, como artesãos e agricultores familiares, entre outros, a possibilidade de fazer financiamentos e ter acesso a alguns incentivos do governo.
A criação da Secretaria Nacional de Economia Solidária, ligada ao Ministério do Trabalho Emprego e Renda, fomentadora dos encontros, também pretende organizar participantes para que juntos, consigam obter mais resultados práticos na produção e comercialização dos seus produtos.
O coordenador da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), Maurício Sardá, comenta que o encontro vai elencar principais propostas que deverão estar inseridas na nova lei. Ele cita que já existe uma rede e empreendimentos em Santa Catarina que têm como base a Economia Solidária, e que o fortalecimento deste tipo de atividade é o objetivo das novas propostas.
Outra tendência é a união de trabalhadores para melhorar sua situação. “Hoje, há uma febre de coalizão, as pessoas estão entendendo que sozinhas, não conseguem resolver os seus problemas”, ressalta Sardá.
Reiterando que a elaboração da lei, tem como base o interesse mútuo de resolver problemas de diversos movimentos sociais. “O que falta são incentivos a estas pessoas”, garante. Segundo ele, a agricultura familiar, por exemplo, já tem seus benefícios, mas estes são oferecidos de forma individual a cada agricultor e não em ações coletivas que abrangem toda uma comunidade.
Mas o coordenador esclarece que os benefícios da lei serão oferecidos somente aos segmentos organizados e de pequeno porte. Não sendo estendido a produtores rurais que tenham grandes produções.
Segundo o representante, serão contemplados agricultores integrantes de associações e cooperativas de ajuda mútua. “A Política Nacional da Economia Solidária vai financiar e apoiar empreendimentos e nós, representantes, damos apoio e fomento para que eles desenvolvam suas atividades”, reitera Sardá.
O coordenador observa que encontros como este, são os provedores de diálogos entre o Estado e a sociedade. E explica que já aconteceram centenas de debates territoriais e regionais, sendo que dos encontros estaduais realizados por todo Brasil, estão sendo escolhidos os delegados. Eles irão representar as suas respectivas regiões na 2ª Conferência Nacional de Economia Solidária (Conaes), que acontece de 16 a 18 de junho de 2010, em Brasília. Com o tema “Pelo Direito de Produzir e Viver em Cooperação de Maneira Sustentável”.
O encontro nacional, entre outros assuntos, vai realizar um balanço sobre os avanços, limites e desafios da Economia Solidária e das Políticas Públicas envolvendo este método de produção.

Laranja tem alto índice antioxidante

alimentação & saúde

Comer uma laranja por dia pode impedir a manifestação de certos tipos de câncer, de acordo com um estudo australiano. A Organização de Pesquisa Industrial e Científica da Comunidade Britânica (CSIRO, na sigla em inglês) descobriu que consumir frutas cítricas pode reduzir o risco de câncer de boca, laringe e estômago em mais de 50%.

Uma porção extra de frutas cítricas diariamente, além das cinco porções de vegetais recomendadas por dia, pode também diminuir o risco de um derrame em 19%. O estudo australiano também descobriu "indícios convincentes" de que esses alimentos podem reduzir o risco de doenças cardiovasculares, obesidade e diabete. Segundo a pesquisadora Katrine Baghurst, a laranja é a fruta com o mais alto nível de antioxidantes, que apresentam propriedades antiinflamatórias, antitumor e inibem a formação de coágulos no sangue.

75% dos tipos de câncer podem ser prevenidos

Saúde

Má alimentação está associada

a cerca de 30% dos tumores

A medicina está avançando no combate ao câncer. Porém, a cura para todos os tipos de câncer é pouco provável no médio prazo. Apesar de terem algumas características em comum, os diversos tipos de tumores têm causas diferentes. Desvendar cada uma delas é o principal desafio da medicina nas próximas décadas. Por esses motivos, a prevenção e a detecção precoce da doença continuam sendo as principais armas contra a maioria dos tumores.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, até o final deste ano serão registrados no país cerca de 305 mil novos casos de câncer. Ao todo, 117 mil pessoas vão morrer vítimas da doença, que é a segunda maior causa de mortes no Brasil, só perdendo para os problemas cardiovasculares.

Apesar das estimativas, hoje, 75% dos cânceres podem ser prevenidos e 25% diagnosticados precocemente, de acordo com um levantamento do Hospital do Câncer de São Paulo. Fazem parte da lista dos que podem ser prevenidos alguns dos tumores de maior incidência no mundo, como o de pulmão (principal causa de morte pela doença), de pele, mama, próstata, colo-retal e útero. Pensando nisso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um alerta sobre a necessidade de colocar em prática medidas simples, e já bastante conhecidas, que ajudam a evitar o problema.

Segundo a OMS, cerca de 30% dos cânceres estão relacionados à alimentação. Dietas com muito sal, conservas e defumados elevam o risco de desenvolver tumores de estômago e colo-retal. Comidas calóricas, ricas em gordura animal e proteína, favorecem os tumores de cólon, próstata e mama.

Dieta - O consumo diário de 500 gramas de verduras e frutas pode diminuir em cerca de 25% a incidência de cânceres do trato digestivo. Esses alimentos também reduzem os riscos de desenvolver tumores da faringe, laringe e útero. Dietas ricas em vegetais ainda protegem contra tumores de cólon e reto. A ingestão de tomate e derivados diminui em até 35% o risco de câncer de próstata. O benefício é atribuído ao licopeno, um poderoso antioxidante. Diversos estudos mostram que o consumo diário de 80 gramas de carne vermelha e embutidos pode aumentar de 25% a 67% os riscos de desenvolver câncer colo-retal.

Pesquisas também já demonstraram a relação entre o excesso de peso e o risco de câncer. O resultado mais consistente diz respeito ao câncer de útero. O risco de desenvolver o tumor é de duas a seis vezes maior em mulheres obesas, antes e depois da menopausa.

O documento diz que, caso não forem modificadas as tendências atuais de hábitos alimentares inadequados e sedentarismo e mantida a quantidade de fumantes (ver matéria ao lado), o número de novos casos de câncer deve aumentar em 50% nos próximos 20 anos, chegando a 15 milhões em 2020. Apesar da evolução dos medicamentos e da maior probabilidade de eliminar os tumores, o custo e os benefícios de prevenir a doença continuam sendo melhores do que os de tratá-la.

Fonte:

http://www.esteditora.com.br/correio/4864/right.htm

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Redes sociais não fazem revolução

Revolução na Tunísia. Protestos no Egito e na Argélia. Acontecimentos que há muito tempo não se via na região. Será que os povos árabes estavam esperando a invenção do Twiter? Ou do Facebook? A julgar pela grande imprensa, sim.
Como disse Judith Orr, editora do jornal Socialist Worker:

Não devemos confundir um instrumento na luta com a luta em si. O Twitter não forçou Ben Ali a fugir do país que governou por 23 anos. Assim como não foram paredes pichadas ou folhetos que derrubaram o czar da Rússia em 1917.

Dizer que as redes sociais tornaram possível as revoltas que vêm ocorrendo é um exagero proposital. Procura esconder as contradições concretas que levam povos a se rebelar. De acordo as Nações Unidas, uma em cada três pessoas no mundo árabe vive abaixo da linha da pobreza.
A Tunísia tem uma economia considerada dinâmica. Deve crescer quase 5% este ano. Mas, dados do FMI dizem que o país tem uma taxa de desemprego de 14%. O dobro disso para jovens até 25 anos.
A economia do Egito cresceu acima dos 7% nos últimos anos. Na última classificação do Banco Mundial sobre ambiente para negócios, o país subiu 5 posições. Mas 40% da população vive abaixo da linha da pobreza.
Tudo isso é fruto de políticas neoliberais aplicadas por ditaduras queridinhas do imperialismo europeu e estadunidense.
É verdade que as redes sociais vêm tendo seu funcionamento dificultado na região. Mas, é assim que ditaduras e governos ameaçados costumam reagir. Se preciso, fecham ou censuram meios de comunicação. Às vezes, até aqueles que são de sua confiança.
Claro que censurar a internete é bem mais difícil. Um problema que o capitalismo criou para si mesmo. Uma situação que devemos aproveitar. O problema é que quase tudo que circula nas redes sociais tem conteúdo conservador. Muito consumismo, preconceitos, ofensas, ignorância.
Redes sociais não fazem revolução. Em geral, atrapalham.
Um bom texto sobre a questão é A revolução não será tuitada, de Malcolm Gladwell
Sérgio Domingues

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

SEGREGAÇÃO DE CLASSE SOCIAL

As soluções fácies para resolver os problemas sociais dos trabalhadores e sua prole, observa-se as atitudes governamentais de agentes com uma retórica simplista de basta não reprovar ou fazer revisão paralela durante o ano e está tudo resolvido. Não se analisando as condições que se tem para que de fato se tenha uma aprendizagem. Soluções mais complexas são estruturais como escolas integral com atividades culturais, ou apenas um reforçoextra classe em horários alternados seria bem vindo. Protagonismo cultural como estimulos a auto estima, a independência e compromisso com suas obrigações de estudantes. É claro que necessitamos de mudanças também estruturais de toda a sociedade a garantia de emprego por exemplo, ou apenas acesso igual ao trabalho e renda para todas as pessoas na sociedade, em vez do atual sistema de classe socias que vivemos atualmente. O sociólogo Jessé de Souza no livro a ralé brasileira: quem é e como vive? O autor faz estudo empírico e teoricamente, estudou uma classe que nunca havia sido adequadamente percebida pelo nosso debate político. Os problemas estruturais da "ralé" são esquecidos por uma discurssão fragmentada na qual essa "classe" aparece pelas suas pontas do "iceberg", como "indivdíuos" carrentes ou perigosos, dignas de pena ou de ódio. O autor chama de "economia emocional" o sucesso na escola, disciplina, autocontrole, pensamento propositivo e capacidade de concentração. Sem essa "economia emocional" peculiar, não há apropriação de capital cultural possível, chamado de capital cultural. Então não é a falta de escola que condenavam a ralé do fracasso escolar, mas a falta de certas "disposições de classe" como a "falta de capacidade de concentração". Ao conviver com familias desses jovens, vimos que os pais nunca liam um jornal ou revista e sempre brincavam com os filhos com carinho de mão de pedreiro e coisa semelhante. Como todos nós nos formamos, como pessoas "afetivamente" pela imitação de quem e daquilo que amamos, o que o pai ensina ao filho era o destino de serem trabalhadores manuais sem qualificação. Dizer que estudar é coisa importante, o testemunho serve sem exemplo prático dos bons efeitos da escola? A partir dessa herança tão desigual de disposições e capacidades, uma classe já "chega vencedora" na escola, enquanto outra chega predestinada ao "fracasso". O que isso tem a ver com "mérito individual"?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Estudar para exame final 2010: Sociologia

- Globalização: mundialização financeira e comércio entre nações, - Neoliberalismo: reformas econômicas – implantadas em diversos países capitalistas centrais e periféricos: limitação das despesas do estado, estimulando o fim de todos os subsídios à agricultura ou indústria; - liberação do mercado financeiro, do comércio, investimentos estrangeiros; privatização das despesas estatais, patentes, reformas tributárias e trabalhistas. -Desemprego estrutural: automação a robótica com a diminuição do emprego, muda a estrutura; - Projeto: Tema, justificativa, objetivo geral, objetivo especifico, método, cronograma e bibliografia. -Preconceito, discriminação, racismo, xenofobia e homofobia; -Clássicos da Sociologia: Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim -Método: Dialética – crítica, Positivismo – generalização e sentido; -Clássicos da Sociologia Brasileira: Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Fernando de Azevedo; -Alienação: Social, econômicas e intelectual. -Ideologia: idéia dominante como ponto de vista de todos, exemplo: não trabalha quem não quer ou nova classe média. -Cidadania: Souza participar, cobrar, propor e pressionar, Saviani direito e dever consciência -Política isonomia (igualdade perante a lei) isegoria ( direito expor)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Greve do Transporte Coletivo!‏

Em assembléia hoje pela manhã, o sindicato dos empregados das empresas permissionárias do transporte coletivo urbano de Blumenau (sindetranscol) fez uma proposta a sua categoria, a qual foi aceita. Demonstrando sua preocupação com a população o sindicato propôs que a categoria volte ao trabalho com 100% da frota em funcionamento desde que seja com a catraca livre, uma forma de continuar a greve sem prejudicar a população, mas a proposta não foi aceita pelas empresas, no entanto estas mesmas empresas vêm a público expressar sua preocupação com os usuários, mas diante deste comportamento da para concluir que a preocupação não é com os usuários e sim com o lucro perdido com a paralisação dos ônibus (atualmente 118.000 mil pessoas usam o transporte coletivo em Blumenau em dias úteis o que multiplicado pelo valor de 2 passagens diárias R$ 5,10 terá um total diário de 601,800 mil reais). O sindicato vem tendo êxito em suas lutas e isso é ruim para as empresas e para o poder público de nosso município, pois é muito mais fácil manter a população “alienada” quando não se tem ninguém reivindicando, os sindicatos de Blumenau se tornaram uma pedra no sapato dos donos de empresas e do nosso prefeito que está fazendo o que bem entende com o município(privatização do esgoto, privatização do transporte público, terceirização da merenda escolar, expulsão dos vendedores ambulantes da área central da cidade, tratando as famílias que continuam em abrigos como um ciclo encerrado, etc.), onde vamos parar desta forma? Este é o projeto para Blumenau 2050? Assistindo as sessões na Câmara de Vereadores de Blumenau, escuto alguns Vereadores que foram eleitos pelo povo para defender seus direitos, dizendo que se deve acabar com os Sindicatos. Pergunto-me quem irá mobilizar o povo diante das barbaridades que estão sendo impostas nesta cidade? Com certeza não serão os Vereadores da base do governo, que estão se beneficiando ao seguirem as orientações provenientes do gabinete do Prefeito. E está claro que a intenção do poder público e das empresas do transporte é enfraquecer o sindicato, o qual está batalhando por melhorias nas condições de trabalho de sua base e para melhorar a qualidade do transporte público de nossa cidade beneficiando toda a população. Estela G. Zeferino.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Intolerância Religiosa

Intolerância Religiosa: o Exu, a Professora e o Tabu

http://blogln.ning.com/profiles/blogs/intolerancia-religiosa-o-exu-a

Por que Jesus pode entrar na escola e Exu não pode?

Este é um artigo de Stela Guedes Caputo

No dia 27 de outubro de 2009, um jornal carioca destacou o caso da professora Maria Cristina Marques proibida de dar aulas em uma escola municipal, no Rio, porque utilizava o livro “Lendas de Exu”. A professora é umbandista e a diretora dessa escola é evangélica. Maria Cristina relatou diversas humilhações, desde ser acusada por mães de alunos de fazer “apologia ao Diabo” à colocação de um provérbio bíblico na sala dos professores chamando-a de mentirosa. Ao lerem a notícia deste caso, certamente muitos sentiram na pele as humilhações sofridas por Maria Cristina. Isso porque é muito comum que professores e professoras, alunos e alunas praticantes de candomblé ou umbanda sejam discriminados nas escolas.

A questão é complexa e podemos fazer muitas perguntas a respeito, mas farei aqui apenas uma: por que Jesus pode entrar na escola e Exu não pode? Por que um Jesus louro, coberto por uma túnica branca, pode estar em um dos livros da coleção para o Ensino Religioso católico, destinada à rede pública e lançada em 2007 pela Cúria Diocesana? A resposta que tenho não agrada. Exu não entra na escola porque este país é racista e, por isso, o racismo está presente na escola. Também acredito que atravessamos uma fase de avanço significativo dos setores conservadores na educação pública. A manutenção da oferta do ensino religioso na Constituição de 88, a aprovação deste como confessional no Rio, o lançamento dos livros didáticos católicos em 2007, a Concordata Brasil-Vaticano aprovada pelo Senado em outubro deste ano. Tudo parece fragmentado, mas não é. Trata-se de vitórias lentas e sigilosas que ampliam, reforçam e legitimam as circunstâncias necessárias para que a discriminação sofrida por Maria Cristina continue sendo uma prática bastante comum em nossas escolas públicas.

A Mãe-de-santo e escritora Beata de Yemanjá, acredita que a discriminação de sua religião acontece porque “pensam que o Brasil é uma coisa só. Por isso nos discriminam e a nossas religiões. Isso é racismo”, diz ela. O pesquisador Antônio Sérgio Guimarães concorda e defende em diversos livros que qualquer estudo sobre racismo em nosso país deve começar por notar que, aqui, o racismo foi, até recentemente, um tabu e que os brasileiros se imaginam numa democracia racial, fonte de orgulho nacional que serve como prova de nosso status de povo civilizado. Para este autor, essa pretensão a um anti-racismo institucional e as regras de pertença nacional suprimiram referências a sentimentos étnicos, raciais e comunitários, contribuindo para a nação brasileira imaginada numa conformidade cultural em termos de religião, raça, etnicidade e língua. É por isso que este autor, entre outros, acha que o racismo brasileiro é do tipo heterofóbico, ou seja, um racismo que é a negação absoluta das diferenças, que pressupõe uma avaliação negativa de toda diferença, implicando um ideal (explícito ou não) de homogeneidade (ou uma coisa só, como diz Beata).

Quando a diretora de uma escola proíbe um livro de lendas africanas ela quer apagar a diversidade presente na sociedade e na escola, quer silenciar culturas não hegemônicas, como as afro-descendentes. Mas como, se a professora discriminada é branca? A professora é branca, mas Exu é negro. Um poderoso e imenso orixá negro. É o orixá mais próximo dos seres humanos porque representa a vontade, o desejo, a sexualidade, a dúvida. Por que esses sentimentos não são bem-vindos na escola? Por que a igreja católica tratou de associá-lo ao mal e ao Diabo (ao seu Diabo) e muitas escolas incorporam essa lógica conservadora, moralista, hipócrita e racista. Exu, no livro proibido, afirma que este país tem negros com diferentes culturas que se entendidas como modos de vida, podem incluir diferentes modos de ver, crer, sentir, entender e explicar a vida. Isso não pode, porque na escola só entra o Jesus lourinho dos livros didáticos católicos (esses são bem-vindos). Positivo foi que muitos professores e professoras se manifestaram contra o ocorrido. Além disso, a Secretaria Municipal de Macaé publicou nota criticando a discriminação e apoiando a professora, o que evidencia, da mesma forma, que a escola não é “uma coisa só”. Por isso, é nas suas tensões cotidianas que devemos fazer, também cotidianamente, a luta contra o racismo de todo tipo, inclusive este, disfarçado de intolerância religiosa.

Para encerrar podemos fazer novas perguntas: a professora silenciada lecionava literatura. Digamos que ensinasse História da África, como ensinar essa disciplina tornada obrigatória? Amputando suas culturas, entre elas, o candomblé e seu riquíssimo panteão de orixás? Alguém questiona quando a disciplina de História fala do catolicismo? Da reforma protestante? Esses conteúdos fazem parte do ensino regular de História (por isso, entre outras coisas, o Ensino Religioso não é necessário). As culturas com suas religiões também fazem parte do ensino de História da África. Como é que vai ser? Pais e professores arrancarão as páginas desses livros? Ou eles já serão confeccionados mutilados pelo racismo? Respondo com a saudação ao orixá excluído da escola (só podia ser ele a armar tudo isso): Laro oyê Exu! Para que ele traga mais confusão e com ela, o movimento, a comunicação e a transformação onde reina.

http://meujazz.wordpress.com/2010/01/24/por-que-jesus-pode-entrar-na-escola-e-exu-nao-pode/

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Democracia

Muitos dos objetos de reflexão teórica e de investigação empírica das ciências sociais sofrem, é claro, as injunções das circunstâncias históricas em que emergem, como temas preferenciais da pauta acadêmica. A democracia – "essa velha senhora", como a chamou Bobbio – não tem sido exceção, na Ciência Política que se pratica entre nós.

É certo que a história nunca a deixou em paz. Na condição de democracia liberal ou democracia representativa, que chegou com o Estado constitucional do XIX, sofreu a crítica das palavras e das armas, por parte do comunismo e especialmente do nazi-fascismo, na primeira metade do XX. No segundo pós-guerra, quando parecia triunfante, talvez definitiva, sofreu novos achaques quando um arquipélago de regimes autoritários aflorou na Europa e na América Latina, nos anos sessenta e setenta.

Quase concomitantemente, os arranjos institucionais do chamado corporativismo societal, que haviam viabilizado direitos sociais em larga escala no auge do período fordisto-keynesiano, foram postos em questão pela crise fiscal do Welfare State. As políticas de "ajuste estrutural" que se seguiram, no capitalismo central, não apenas questionaram direitos, mas valeram-se de instrumentos institucionais de caráter francamente autoritário. Do mesmo modo, na periferia capitalista, nas décadas de 1980 e 1990, a institucionalização de uma ordem democrática após as "transições desde regimes autoritários" patinou em meio às dívidas externas e à corrosão inflacionária (resultantes da crise do modelo desenvolvimentista) em muitos países. A dependência que então se estabeleceu desses países para com os organismos multilaterais de financiamento redundou também em desregulamentação de direitos e novos instrumentos autoritários de gestão.

Com tantas idas e vindas na ossatura das democracias mundo afora, não é de admirar que a literatura especializada, mesmo considerando-se as obras mais influentes, tenha sido marcada pelas injunções conjunturais.

É verdade que Robert Dahl demonstrou, em seu Poliarquia (DAHL, 1971), que ao longo do século XX aumentou o número de países democráticos, apesar do desenvolvimento desigual dos eixos da institucionalização e da participação. Mas é bom lembrar que a assertiva refere-se a um conceito "mínimo" de democracia, estritamente político. Quando agregamos a dimensão econômico-social do problema, fica difícil pensar no século XX como o "século dos direitos sociais", em seqüência ao XVIII dos direitos civis e ao XIX dos políticos, conforme a célebre generalização de T. H. Marshall em seu Cidadania, classe social e status (MARSHALL, 1967). Essa incompletude no desenvolvimento da cidadania (se é que o termo "incompletude" faz algum sentido) certamente jogou muita água fria nas expectativas mais otimistas sobre o enraizamento e o aprofundamento da democracia.

É claro que em um cenário assim não poderiam faltar, na literatura do último quartel do século XX, questionamentos à eficácia do regime democrático em processar demandas sociais e à sua capacidade de dar-lhes respostas efetivas sem "sobrecarregar" o sistema e sem gerar "paralisia decisória" ou, pior ainda, "ingovernabilidade". Samuel Huntington foi peremptório a respeito, em The Crisis of Democracy (CROZIER, HUNTINGTON & WATANUKI, 1975): democracia boa é democracia bem comportada. Para ele, a estabilidade e a longevidade dos regimes democráticos dependeria da prevalência de certa dose de "apatia política" da sociedade. Na América Latina, inclusive no Brasil, a mobilização "excessiva" dos setores populares, como se sabe, foi um dos elementos do caldo de cultura que gerou os golpes autoritários.

É assim que a literatura sobre transição de regime viu-se obrigada a levar em conta essa dimensão societal dos conflitos da transição. Isso ocorreu no paradigmático Transições do regime autoritário (O'DONNELL & SCHMITTER, 1988), lançada nos anos 1980, embora o modelo "transição-consolidação" democráticas tenha induzido uma preocupação predominantemente institucional. O que importava naquele momento, dadas as injunções conjunturais, era descrever a dinâmica dos processos de desmontagem paulatina e substituição gradual das engrenagens dos regimes de exceção e estabelecer qual o ponto a partir do que seria possível falar em restabelecimento da "normalidade" do regime democrático. Nesse sentido, mesmo quando a dimensão social e econômica era levada em conta, o que importava era definir o grau de permeabilidade do sistema político às demandas societais e sua capacidade de processamento.

Mas, é claro, nem só de instituições é feita a democracia. E como a Coruja de Minerva só levanta vôo ao anoitecer, parece que estamos chegando a um momento em que o distanciamento desses processos de transição de regime, bem como a diversificação temática da produção em Ciência Política no Brasil, têm permitido um tratamento multifacetado do fenômeno democrático.

Hoje talvez tenhamos mais ouvidos para ouvir quando Fábio Wanderley Reis lembra-nos que, embora possamos utilizar concepções "minimalistas" de democracia em nossos experimentos intelectuais, "se houver grande desigualdade social, como a que existe no Brasil, por exemplo, isso naturalmente vai significar que diferentes indivíduos estarão controlando quantidades muito desiguais de recursos na esfera privada, e que haverá, portanto, um desequilíbrio privado de poder que tornará problemático o exercício efetivo dos direitos políticos e civis" (REIS, 2003, p. 12).

Súmula desse despertar para as múltiplas facetas da questão, Democracia: teoria e prática, organizado por Renato Perissinotto e Mário Fuks, a partir de um seminário realizado na Universidade Federal do Paraná, não tem o mérito único de atentar para aspectos econômicos e sociais, além dos político-institucionais. Talvez a comunicação mais representativa dos esforços contidos no livro seja a de Renato Lessa, ao apontar a necessidade de resgatar a invenção intelectual caudatária da tradição da Filosofia Política, como complemento indispensável à investigação empírica acerca da democracia. Afinal, "a história da Ciência Política é em grande medida uma história de tentativas de elucidação de fatos e artefatos postos no mundo por teorias. Esse é o ponto que eu acho mais interessante: fatos e artefatos institucionais que decorrem de invenções intelectuais. Não há razões históricas, teóricas ou filosóficas capazes de sustentar a separação da dimensão empírica com relação à dimensão filosófica, normativa e especulativa da teoria política. Se nós pensarmos um pouco sobre a história dos nossos objetos, essa história vai revelar que eles decorrem em grande medida de invenções" (LESSA, 2003, p. 40; grifos no original).

É assim, de fato, que os esforços desdobram-se ao longo do volume: democracia como invenção cultural, como invenção institucional, como invenção de modos de vida.

O próprio capítulo dedicado ao problema institucional, centrado no caso do sistema partidário, é prenhe dessa perspectiva geral. Fernando Limonge sublinha o fato de que a engenharia de reformas institucionais proposta por uma certa vertente da Ciência Política brasileira após o declínio da literatura sobre "transição" e "consolidação" ancora-se, de modo inconfesso, justamente na concepção segundo a qual é preciso forjar instituições que moderem o "excesso de demandas" para garantir a "governabilidade". "O ponto de apoio das propostas de engenharia institucional é o de que os interesses e os valores das massas que ingressam em um sistema político em democratização conspiram contra a manutenção dessa mesma ordem. As demandas das massas não podem ser atendidas. A condição para a preservação da ordem democrática é a moderação dessas demandas. Para isso, segundo essa visão, cabe desenhar as instituições adequadas, instituições capazes de neutralizar e moderar a pressão das massas" (LIMONGE, 2003, p. 65). O autor faz a crítica dessa literatura conservadora, desnudando as "invenções intelectuais" que estão na raiz dos "artefatos institucionais" propostos pelos engenheiros.

Complementarmente, o eixo da intervenção de Evelina Dagnino (2003) está posto na constituição de espaços públicos de participação social nos processos de tomada de decisão políticos, tanto os destinados a colocar em pauta novos temas à discussão pública quanto os destinados a constituírem-se em canais institucionais de absorção e processamento de demandas. Na fala de Dagnino os movimentos não são observados apenas em sua faceta disruptiva com relação à ordem autoritária, mas como construtores de espaços novos de participação política. O que se destaca é justamente o fato de que a incorporação da participação social em contextos democráticos pode redundar em invenção institucional – invenção que deve ser acompanhada do apoio oferecido pela "crença em sua legitimidade", para usar a expressão weberiana. Nas palavras de Marcello Baquero, "os dilemas atuais do Brasil, no campo da consolidação plena da cidadania, não podem ser resolvidos única e exclusivamente pela institucionalização de procedimentos chamados democráticos, mas também por um processo que proporcione a construção de uma base normativa de apoio e valorização dessas instituições" (BAQUERO, 2003, p. 134).

Não há aqui espaço para um comentário circunstanciado acerca da perspectiva de cada uma das intervenções reunidas no livro. Penso que o raciocínio acima vale para a discussão sobre implementação de políticas sociais (de Marta Arretche), sobre problemas urbanos (de Luiz Ribeiro e Orlando Santos Jr.) e para os estudos de caso sobre conselhos gestores de políticas públicas, no Paraná (de Renato Perissinoto e de Mário Fuks) e em Porto Alegre (de Soraya Côrtes).

Mesmo contando com contribuições de acadêmicos de formações amplamente variadas, a convergência básica da coletânea está no desapego dos autores a modelos pré-estabelecidos e na ousadia do pensamento.

O livro é, em suma, um belo retrato do refinamento a que pode chegar a Ciência Política no tratamento do fenômeno democrático, seja ontologicamente – ao destacar em conjunto suas dimensões político-institucional, social, cultural etc. –, seja heuristicamente – ao assinalar a importância vital da convergência entre os instrumentos de investigação empírica e a invenção filosófica.

Fonte:

RODRIGUES, Alberto Tosi, A democracia como invenção política

Revista de Sociologia e Política

Print version ISSN 0104-4478

Rev. Sociol. Polit. no.22 Curitiba June 2004.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-44782004000100015&script=sci_arttext

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Professor Trabalhador Mercadoria

“Qual é o papel da escola¿”
Osni Valfredo Wagner Professor de Sociologia Rede estadual A mercantilização do profissional da educação pública é uma máxima que está emergindo das regulamentações estatais, o que já acontece na metrópole, como em São Paulo onde a avaliação de desempenho substitui o modelo tradicional de Escola Pública por algo que se quer que seja melhor. Supondo que o que é Estatal consiste problema, busca-se um modelo privatizante, como se fossem modelos que deram certo em outros países. Primeiro que as realidades são diferentes depois que modelos. Metodológica em utilizar conceitos aparentemente inovadores, o que se quer é transformar o professor em mercadoria. Criar um sistema a partir de utopias liberais que se baseia em avaliações de desempenho que são feita por alunos, pais e pedagógico, os alunos e os pais querem passar de ano, o pedagógico mede pelo político. Falta nestes três pelo menos no primeiro experiência e conhecimento para avaliar o professor, o segundo contato com a escola, pois na maioria dos casos os pais não participam da vida da escola e em terceiro depende de seguir os interesses de partido do poder. Além dessa questão da avaliação de desempenho tornar o professor como mercadoria, não se está observando que o ato de ensinar e aprender necessita da autonomia no desempenho da disciplina tanto disciplinar, transdiscipliar ou interdisciplinar. A gestão democrática ainda jovem quer acabar, sobrando o que nessa falsa meritocracia¿ O mais nefasto é que se tira a autonomia do professor em sala de aula e se institucionaliza uma ditadura. Como se o problema de ensinar fosse apenas do professor. O aluno tem o papel de estudar, os pais de educar e o professor de formar cidadão. Como poderia ser uma avaliação do desempenho¿ a partir do Projeto Político Pedagógico avaliando o desempenho do professor assiduidade, comprometimento, relacionamento, com critérios científicos de validação, quantificação, comprovação. A Escola reproduzir o que a grande mídia supostamente produz uma mordaça na autonomia de se observar conhecimento oculto, legitimando a hegemonia do mercado e para isso precisa do professor mercadoria, para que o aluno saia cada vez mais mercantilizado da Escola e não com interpretações sobre a cidadania. Qual é o papel da escola¿ A arte de aprender e ensinar está por um fio para se transformar em uma coisa tecnicista ao ponto das pessoas não mais pensarem, mas somente fazerem ações mecanicamente. Tirar a competência da avaliação do Professor é lhe tirar toda a autonomia em sala de aula é rasgar seu diploma e toda a experiência que obteve em toda sua vida profissional. Estão institucionalizando um tecnicismo a partir do fim do cientificismo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Tema da aula sobre conhecimento oculto (interpretação de texto )

A ação hoje observada tanto corresponde a encadeamentos de amplas e diferentes práticas como a fatos isolados cultural e politicamente relevantes, já que significam a emergência de formas transformadas de manifestação social. A vitalidade das sociedades latinoamericanas manifesta-se, assim, numa pluralidade de frentes de mobilização, com rápida possibilidade de serem reproduzidas através da base técnica da vida coletiva: as atuais formas de comunicação e informação. Desta maneira, o acompanhamento analítico da ação apresenta desafios de método que não podem ser respondidos, totalmente, através de um debate teórico-conceitual dirigido à gênese estrutural da ação, conforme referido acima, ou com apoio, somente, em questões políticas abrangentes http://conceitosprovocacoes.blogspot.com/2010/11/ana-clara-torres-ribeiro-alice-lourenco.html 9/11/2010 - 14h13 MEC aguarda aval da Justiça para divulgar gabarito do Enem Publicidade LARISSA GUIMARÃES DE BRASÍLIA O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira que vai aguardar o aval da Justiça Federal do Ceará para divulgar às 18h o gabarito das provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). "A juíza deverá se posicionar até o fim da tarde", afirmou Haddad, após uma reunião na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Por contas dos problemas da aplicação do Enem, no último fim de semana, a Justiça Federal do Ceará determinou na segunda-feira a suspensão do exame em todo país, acatando um pedido de liminar (decisão provisória) feito pelo Ministério Público Federal. A DPU (Defensoria Pública da União) recomendou ao MEC a anulação do primeiro dia de provas. No sábado, primeiro dia de prova, parte dos exemplares saiu com folhas repetidas ou erradas. Nem todos os alunos conseguiram trocar a prova de imediato. Já no cabeçalho da folha de respostas recebida por todos os alunos, o espaço para o gabarito das questões de ciências da natureza estava incorretamente identificado como ciências humanas. O ministro confirmou que irá ao Senado na próxima semana para falar sobre o Enem. Ele voltou a dizer que não há necessidade de aplicar a prova de sábado para todos os 3,4 milhões de estudantes. Para Haddad, o sistema do Enem permite que apenas os alunos prejudicados façam uma nova prova, com o mesmo nível de dificuldade da anterior. OAB O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, afirmou que a maior preocupação agora é que seja mantido o princípio da igualdade no processo. Após receber o ministro, Cavalcante disse que uma comissão da OAB irá analisar informações do Ministério da Educação sobre como funciona o sistema do Enem. "Uma prova tradicional jamais permitiria esse tipo de solução [reaplicar um novo exame para apenas parte dos estudantes]. Este modelo do Enem talvez permita, é o que vamos verificar", disse. "Seria precipitado pedir a anulação da prova agora", completou. O presidente da OAB afirmou que ninguém fará "apologia ao caos" se for possível a reaplicação da prova apenas para os alunos prejudicados, desde que o exame tenha o mesmo grau de dificuldade do anterior. Cavalcante disse que o MEC está agindo com transparência no caso, mas criticou as falhas no exame. "Há de haver mais rigor, maior controle das provas", disse. "Os fiscais precisam ser mais bem preparados", complementou. http://www1.folha.uol.com.br/saber/827837-mec-aguarda-aval-da-justica-para-divulgar-gabarito-do-enem.shtml 09/11/2010 - 10h22 Preços dos alimentos disparam e puxam inflação em 2010, aponta IBGE Publicidade PEDRO SOARES DO RIO Pressionados pelo clima e a consequente alta das commodities, os alimentos ditaram os rumos da inflação em 2010. A alta acumulada de 6,59% de janeiro a outubro representou um impacto de mais de um terço (34%) no IPCA do ano (4,38%), com contribuição de 1,48 ponto percentual. "Os alimentos determinaram praticamente sozinhos o desenho, o perfil, da inflação em 2010", disse Eulina Nunes dos Santos. Em outubro, os alimentos subiram 1,89%, a maior taxa para tal mês do ano desde 2002 e também a mais alta desde junho de 2008. Após três meses de deflação, entre junho e agosto, o grupo alimentação voltou a ficar pressionado a partir de setembro com a nova rodada de alta das commodities especialmente do trigo, milho e soja. "Neste ano, houve um problema de seca em escala mundial, que elevou os preços das comoodities", disse Nunes dos Santos. Tamanha foi a alta dos grãos que ela foi suficiente para anular o efeito benéfico do câmbio, que ficou restrito apenas a alguns itens, como os produtos de limpeza (alta de 1,09% no ano, abaixo do IPCA acumulado de 4,38%). Ainda por conta do clima e da quebra de safra em países produtores como a Rússia, a farinha de trigo e seus derivados também pressionaram o grupo alimentação em outubro. A farinha subiu 5,23%. O macarrão teve alta de 2%. Já no caso do feijão, que acumula alta de 109,78% no ano e subiu 31,42% em outubro, a safra menor é responsável pelos reajustes. Segundo Nunes, a demanda aquecida também proporcionou repasses mais intensos dos aumentos das commodities, cuja alta também elevou os preços de rações e indiretamente das carnes. No acumulado do ano, as carnes foram os itens de maior pressão (alta de 14,56% e contribuição de 0,32 ponto percentual para o IPCA), ao lado dos colégios e do empregado doméstico --ambos também com peso de 0,32 ponto percentual no IPCA do ano. Em outubro, as carnes subiram 3,48% e também lideraram o impacto no IPCA --0,08 ponto percentual. "A renda aumentou e no mundo, inclusive no Brasil, as pessoas estão comendo mais carne. O país aumentou a exportação e a oferta interna está mais estreita", disse Nunes dos Santos. http://www1.folha.uol.com.br/mercado/827720-precos-dos-alimentos-disparam-e-puxam-inflacao-em-2010-aponta-ibge.shtml 09/11/2010 - 13h52 Prejuízo com "vendas" de benefícios no Rio chega a R$ 7 mi por mês Publicidade HUDSON CORRÊA DO RIO A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira no Estado do Rio de Janeiro 31 pessoas, incluindo 15 funcionários da Previdência Social, acusadas de receber propina em troca de facilitar concessão de benefícios como aposentadoria, auxílio-doença, pensões e até o Loas (a ajuda de um salário mínimo mensal a idosos e deficientes com renda familiar per capita inferior a R$ 128). A Previdência Social no Rio informou que foram cerca de 1.050 benefícios fraudados que devem passar por auditoria. Eles representavam pagamento mensal de cerca de R$ 2 milhões, diz a PF. A Procuradoria da República divulgou que o rombo aos cofres da Previdência pode chegar a R$ 7 milhões, incluindo outro tipo fraude que não foi o principal foco da PF, como uso de empresas de fachada para simular vínculos empregatícios e obter benefícios. A investigação da PF continuam. As fraudes ocorreram nas agências da Previdência em Niterói, Itaboraí, Teresópolis e na capital, em Copacabana e Cosme Velho. Dos 15 funcionários presos, seis já tinham sido presos sob suspeita de fraude, mas permaneceram no órgão. "Se a Previdência Social fosse uma empresa privada, já teria sua falência reconhecida", afirmou o procurador da República Carlos Alberto Aguiar que denunciou 45 envolvidos à Justiça Federal por suspeita de corrupção e formação de quadrilha. No total, foram 33 mandados de prisão (31 já cumpridos, segundo a PF), e 81 ações de buscas e apreensões. Segundo o delegado da PF Fernando Cesar, responsável pela investigação, em dois anos a quadrilha cobrou cerca de R$ 5 milhões em propina para atuar na concessão de benefícios da Previdência. Grande parte das pessoas, segundo a PF, tinha direito ao benefício, mas, desinformada, recorria a escritórios de advocacia e despachantes, os quais mantinham contato com servidores supostamente corruptos. Esses últimos, em troca de propina, montavam processos de aposentadorias, pensões e auxílio-doença, diz a PF. "Criavam dificuldades [na concessão do benefício] para depois vender facilidades. Usavam a Previdência como balcão de negócios", afirmou o delegado. Entre os acusados estão dois médicos da Previdência, um deles foi preso. A PF não divulgou nomes. "O médico assegurava doença sem a presença do segurado [no consultório]", disse o procurador. Ele citou o caso de uma pessoa que mora em Londres, Inglaterra, e recebia auxílio-doença de R$ 2.800 por meio de fraude. http://www1.folha.uol.com.br/mercado/827829-prejuizo-com-vendas-de-beneficios-no-rio-chega-a-r-7-mi-por-mes.shtml 09/11/2010 - 11h48 Nova regulação para mídia digital será feita com ou sem consenso, diz Franklin Martins Publicidade ELVIRA LOBATO ANDREZA MATAIS DE BRASÍLIA O ministro Franklin Martins (Comunicação Social) abriu hoje seminário internacional promovido pelo governo para discutir novas regras ao setor de mídia digital (rádio, TV e internet) com uma advertência aos empresários. Segundo ele, "nenhum grupo tem poder de interditar a discussão" sobre um novo marco regulatório e é melhor que o debate se dê num clima de entendimento. "A discussão está na mesa, está na agenda, ela terá de ser feita. Pode ser feita num clima de entendimento ou de enfrentamento", afirmou. Acompanhe a Folha Poder no Twitter Comente reportagens em nossa página no Facebook Num tom professoral, o ministro disse a uma plateia formada por dirigentes de agências reguladoras em vários países, de entidades representantes dos veículos de comunicação e da sociedade civil organizada que, "apesar de momentos de fúrias mesquinhas, a nossa sociedade tem vocação para o entendimento" e, mais de uma vez, pediu que se afaste os "fantasmas" desta discussão. Entidades como ANJ (Associação Nacional de Jornais), Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), entre outras, enxergam na proposta do governo de criar novas regras para serem seguidas pelo setor de telecomunicações e radiodifusão uma tentativa de impor censura à liberdade de informação e controlar os meios de comunicação. Em seu pronunciamento, o ministro classificou o temor de "truque", segundo ele, "porque todos sabem que isso não está em jogo", desconsiderando que a Confecom (Conferência Nacional de Comunicação), realizada pelo governo no ano passado, aprovou várias medidas restritivas à liberdade de imprensa que Estados tentam viabilizar por meio da criação de conselhos de comunicação. O ministro afirmou que o país não discute questões como a propriedade de rádios e TVs por parlamentares porque não quer fazer esse debate. "Todos sabemos que os deputados e senadores não podem ter TV, mas todos sabemos que eles têm, através de subterfúgios dos mais variados. Está certo? Evidentemente que não. Por que não se faz nada? Porque a discussão foi evitada." Ele repetiu que o governo Lula prepara um anteprojeto de lei para entregar à presidente eleita, Dilma Rousseff, que será o "ponto de partida" para uma nova política para o setor. Segundo ele, a expectativa é que Dilma encaminhe o texto para consulta pública ou discussão do Congresso quando assumir e trate o assunto como prioritários em seu governo. http://www1.folha.uol.com.br/poder/827762-nova-regulacao-para-midia-digital-sera-feita-com-ou-sem-consenso-diz-franklin-martins.shtml 09/11/2010 - 15h03 Termina rebelião de presos no Maranhão; 18 morreram Publicidade SÍLVIA FREIRE DE SÃO PAULO Após aproximadamente 28 horas, terminou na tarde desta terça-feira a rebelião no complexo penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, Maranhão. No total, 18 presos foram mortos por rivais. Desses, 15 foram assassinados no presídio São Luís, considerado de segurança máxima do Estado. Outras três mortes ocorreram na Penitenciária de Pedrinhas, localizada ao lado do presídio, que sofreu uma tentativa de rebelião, segundo o major Diógenes Azevedo, comandante do batalhão de choque da PM e que participou da negociação. Ao final da rebelião, segundo o major, os cinco reféns que eram mantidos pelos rebelados do presídio foram libertados sem ferimentos. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, segundo Azevedo, acatou algumas reivindicações dos presos para encerrar a rebelião. Eles pedem revisão dos processos e transferências para unidades prisionais mais próximas às famílias. Ontem, os presos haviam entregue nove corpos, três deles decapitados --em troca de alimentos. http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/827864-termina-rebeliao-de-presos-no-maranhao-18-morreram.shtml 09/11/2010 - 12h17Corpo de jovem que sumiu após abordagem da PM é enterrado em SP PublicidadeCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA O corpo do metalúrgico Edson Edney da Silva, que tinha desaparecido no dia 10 de setembro após uma abordagem da Polícia Militar, foi enterrado por volta de 10h desta terça-feira no cemitério Campo Grande (zona sul de São Paulo). O corpo de Silva tinha sido encontrado carbonizado em um matagal na região de Parelheiros (zona sul de São Paulo) no dia 11 de setembro, logo após o desaparecimento, mas só foi identificado por exame de DNA na última sexta-feira (5). Silva desapareceu junto com um amigo, o segurança Emerson Heida, após abordagem de policiais militares no bairro Socorro, também na zona sul. O corpo de Heida também foi encontrado carbonizado em Parelheiros no dia 23 de outubro e reconhecido dois dias depois, graças a uma tatuagem que o rapaz tinha. Na sexta-feira, a Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo determinou a prisão de quatro policiais suspeitos de terem assassinado os dois homens. De acordo com a corporação, o fato de terem sido encontradas amostras de sangue de Heida no compartimento de transporte de presos do veículo usado pelos PMs foi um elemento que levou à prisão dos policiais. A PM se negou a fornecer o nome dos policiais presos, mas informou que pelo menos um deles já havia brigado com Emerson antes de entrar na corporação. DESAPARECIMENTO No dia em que sumiram, Emerson e Edson haviam saído de casa para deixar um irmão de Emerson, Anderson Heida, em um ponto de ônibus. Anderson contou à polícia que, do ônibus, viu o carro do irmão --um Kadett vermelho-- parado ao lado de um carro da Polícia Militar na avenida Robert Kennedy, no bairro Cidade Dutra, na zona sul. Outras testemunhas também confirmaram à polícia a abordagem policial. Esta foi a última vez que os dois rapazes foram vistos. Quatro dias após o desaparecimento, o carro em que os dois estavam foi encontrado incendiado em um matagal na estrada do Jaceguava, no Jardim Casa Grande, também na zona sul. http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/827776-corpo-de-jovem-que-sumiu-apos-abordagem-da-pm-e-enterrado-em-sp.shtml 09/11/2010 - 14h32 PF investiga suposto vazamento do tema da redação do Enem Publicidade FÁBIO GUIBU DE RECIFE Estudantes de uma escola particular de Petrolina (a 780 km de Recife, PE) teriam tido acesso ao tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) antes da realização da prova. Acompanhe a Folha no Twitter Conheça a página da Folha no Facebook MEC aguarda aval da Justiça para divulgar gabarito O vazamento, segundo o professor de português do colégio Geo, onde eles estudam, Marcos Antonio Freire de Paula, teria sido comunicado por um aluno sobre o caso cerca de uma hora antes do exame. De acordo com ele, esse estudante o procurou para pedir conselhos sobre como desenvolver um texto que abordasse os assuntos "trabalho e escravidão". O trabalho escravo foi o título de um texto de apoio para o tema da redação, "o trabalho na construção da dignidade humana". "Ele chegou dizendo que o tema havia vazado e que sabia que seria esse", afirmou Freire de Paula. "Eu não dei muita importância, mas, como ele perguntou, nós discutimos o assunto." Logo em seguida, disse, outros alunos se aproximaram perguntando a mesma coisa. "Tínhamos vários professores num ponto de apoio do colégio no local da prova, e todos foram atendidos", afirmou. Questionados sobre como teriam tido acesso à informação, os estudantes disseram aos professores que o vazamento ocorreu no Piauí, na cidade de São Raimundo Nonato. "Isso foi a conversa dos alunos: um colega teria avisado outro por telefone e o boato correu." "Quando a prova acabou e o pessoal confirmou o tema da redação, tomei um susto", afirmou Freire de Paula. "Pensei: não pode ser coincidência." A Polícia Federal de Juazeiro (BA), cidade vizinha a Petrolina, investiga o caso. http://www1.folha.uol.com.br/saber/827847-pf-investiga-suposto-vazamento-do-tema-da-redacao-do-enem.shtml 08/11/2010 - 20h25 Juíza nega sigilo na suspensão do Enem; veja íntegra da decisão Publicidade ANDRÉ MONTEIRO DE SÃO PAULO A juíza federal Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal do Ceará, negou pedido do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) para que sua decisão de suspender o Enem fosse mantida em sigilo. Nesta segunda-feira, a magistrada acatou um pedido de liminar (decisão provisória) feito pelo Ministério Público Federal e suspendeu a prova aplicada neste fim de semana para 3,3 milhões de candidatos. A decisão tem efeito para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em todo o país. Em anotação de próprio punho na sentença, Maia afirma que sua decisão "está repousada em fatos públicos e notórios, objeto de ampla divulgação na mídia", e autorizou a publicação da decisão por entender que não se aplicava o "sigilo requerido pela parte de ré" do processo --Inep e consórcio Cespe/Cesgranrio. O Ministério da Educação afirmou que sua consultoria jurídica vai prestar esclarecimentos à juíza para tentar reverter a decisão. O ministro Fernando Haddad disse que o MEC vai argumentar que a metodologia da TRI (Teoria de Resposta ao Item), usada no Enem, permite que os exames tenham o mesmo grau de dificuldade mesmo quando aplicado em ocasiões diferentes. Haddad defendeu que o Enem é "absolutamente sustentável" sob o ponto de vista técnico e disse que não cogita marcar um novo exame. Ele disse que, caso a juíza não reveja a decisão, o governo vai entrar com recurso. http://www1.folha.uol.com.br/saber/827496-juiza-nega-sigilo-na-suspensao-do-enem-veja-integra-da-decisao.shtml 08/11/2010 - 21h23 Lula diz que não é "um ou outro caso" que vai impedir sucesso do Enem Publicidade SIMONE IGLESIAS ENVIADA A MAPUTO Ao chegar nesta segunda-feira a Moçambique, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os problemas causados na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no fim de semana não acabarão com o "sucesso" do sistema de seleção adotado por seu governo. Lula afirmou que muitas pessoas não se conformam com o Enem e querem de todas as formas acabar com ele. Acompanhe a Folha no Twitter Conheça a página da Folha no Facebook Juíza nega sigilo na suspensão do Enem; veja íntegra da decisão Ministro considera baixo o número de prejudicados no Enem "Tem muita gente que quer que afete. Até hoje tem gente que não se conforma com o Enem. Mas, de qualquer forma, ele provou que é extraordinariamente bem sucedido", disse. Lula criticou o jornalista de Pernambuco que tentou demonstrar que a prova tinha deficiências de segurança. "Um jornalista tentou demonstrar que havia uma fraude ou uma fragilidade do sistema. É muito difícil lidar com a seriedade quando você tem pessoas que não agem com seriedade. A polícia Federal está investigando", afirmou. O presidente chamou o ministro Fernando Haddad (Educação) no Palácio da Alvorada domingo à noite, véspera de embarcar para Maputo, para cobrar explicações. Haddad viajaria com o presidente para inaugurar, em Moçambique, uma universidade brasileira criada em cooperação com o país africano. Mas acabou ficando no Brasil para resolver os estragos causados pelo exame no fim de semana. SUSPENSÃO A Justiça Federal do Ceará determinou nesta segunda-feira a suspensão o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), acatando um pedido de liminar (decisão provisória) feito pelo Ministério Público Federal. A decisão tem efeito em todo o Brasil. Cabe recurso. A decisão da juíza federal Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal, se baseou no argumento de que o erro da impressão das provas prejudicou os candidatos. O ministro Fernando Haddad disse que o MEC recebeu um número relativamente pequeno de relatos de problemas no Enem. Segundo ele, o Inep (órgão do ministério responsável pelo exame) ainda investiga o número exato de candidatos prejudicados, mas o número de casos estava abaixo da estimativa inicial de 2.000 estudantes. O ministro disse que a consultoria jurídica do MEC tentaria reverter a decisão. Os advogados vão prestar esclarecimentos sobre a metodologia do Enem, e, caso não convençam a juíza, vão recorrer. O Enem foi aplicado neste fim de semana para 3,3 milhões de estudantes em todo o país. http://www1.folha.uol.com.br/saber/827547-lula-diz-que-nao-e-um-ou-outro-caso-que-vai-impedir-sucesso-do-enem.shtml

domingo, 7 de novembro de 2010

Ana Clara Torres Ribeiro, Alice Lourenço, Laura Maul de Carvalho

A ação hoje observada tanto corresponde a encadeamentos de amplas e diferentes práticas como a fatos isolados cultural e politicamente relevantes, já que significam a emergência de formas transformadas de manifestação social. A vitalidade das sociedades latinoamericanas manifesta-se, assim, numa pluralidade de frentes de mobilização, com rápida possibilidade de serem reproduzidas através da base técnica da vida coletiva: as atuais formas de comunicação e informação. Desta maneira, o acompanhamento analítico da ação apresenta desafios de método que não podem ser respondidos, totalmente, através de um debate teórico-conceitual dirigido à gênese estrutural da ação, conforme referido acima, ou com apoio, somente, em questões políticas abrangentes . como exemplificam os relevantes temas da democracia e da cidadania ou as variadas formas assumidas pela problemática do sujeito. Poderia ser dito que a ação social, ao mesmo tempo em que exige a consideração destes grandes temas, impõe o reconhecimento de outros, propostos por aqueles que fazem concretamente a vida e que (re)costuram, de forma incessante, o tecido social. Para estes, experiência vivida e futuro caminham juntos. Este ensaio encontra-se construído em direção à vida imediata, sem com isto desconhecer referências estruturais abrangentes. Esta opção de método não significa o elogio irresponsável do cotidiano mas, sim, a valorização de contextos, lugares e narrativas. Envolve, ainda, a intenção de contribuir no encontro de formas de representação da vida coletiva que facilitem o enraizamento da questão social. Para tanto, busca-se refletir os elos entre mapas (orientações da ação) e imagens (representações da experiência), trazendo a ação para o aqui e agora, ao mesmo tempo em que reconhece-se que os vínculos entre mapeamentos e representações coletivas exigem a reflexão da experiência histórico-cultural latino-americana. Esta proposta metodológica encontra inspiração em Milton Santos (1994; 1996; 1999), Edgar Morin (1996), Boaventura Santos (1991) e Carlos Fuentes (1994). Mapas e imagens A natureza e a riqueza, aí incluído o volume da população, conduziram com especial força a simbiose entre imagem e mapa acelerada pela modernidade. Medir, contar, precisar, desvendar caminhos e penetrar territórios foram processos que articularam representação e apropriação do mundo e que envolveram religião e poder. A capacidade de medir e avaliar torna-se crescentemente exata, mesmo que na exatidão escondam-se obscuros espíritos e permanentes imprecisões1. Também o valor excepcional da informação rara, aparentemente uma característica do mundo contemporâneo, existiu no segredo dos mapas e nas redes que transmitiam aos centros de poder, ainda no período dos descobrimentos, os segredos das terras desconhecidas e das rotas trilhadas (Bueno, 1988). Por outro lado, imagens e relatos encontraram rapidamente o seu mercado entre aqueles que sonhavam com a aventura não vivida, com as cores e os sabores das terras distantes e com uma fauna exuberante e mística (Bueno, op cit). 1 .Medir montanhas, contudo, é uma tarefa diabolicamente difícil, com espaço de sobra para que se cometam erros. Como explica Louis Baume em Sivalaya, um compêndio de fatos sobre as catorze maiores montanhas do mundo, .o cálculo das altitudes dos picos do Himalaia é um campo de tanta complexidade erudita que nem mesmo anjos munidos de teodolitos e fios de prumo ousariam meter o nariz no assunto.(Krakauer, 1999). Talvez a direção assumida pela busca do desconhecido possa ser encontrada na forma como a natureza foi desvendada, desde os primórdios da modernidade, pela ânsia de riqueza imediata; passando gradualmente a ser compreendida como sendo a própria forma possível da riqueza, ao mesmo tempo em que culturas e seres humanos foram classificados e aprisionados como elementos do surpreendente quadro natural do novo mundo2. A beleza das representações cartográficas do período dos descobrimentos, e dos séculos imediatamente subsequentes, resulta de leituras que buscam recursos e que registram, através de imagens, os entes de um paraíso perdido, por vêzes demonizados por interpretações emanadas, como diz Eduardo Lourenço (2000:8), de uma Europa culpada e vestida. Em suas palavras: .Neste primeiro instante inaugural, os trópicos não eram tristes. A famosa .tristeza dos trópicos. é da decepção de todos os que, desde (...) Colombo até Lévi-Strauss, não reconheceram na realidade do novo mundo a Natureza mítica do primeiro olhar ocidental, aquela que a civilização vestida e pecadora da Europa buscava para se sentir na aurora do mundo, com a sua inocência e a sua imaginária felicidade.. Estas leituras espelhadas, no plano liso das cartas, seduzem e assustam, sendo assim gerado o estranhamento que nos transporta para o vórtice sempre renovado do olhar externo3. Este estranhamento introduz um viés de distanciamento na obrigação, continuamente reproduzida, de sermos analistas de nós mesmos; permitindo recordar, de forma aqui conjunturalmente deslocada, as palavras de Flávio Venturi em .Eu, caçador de mim.: .Por tanto amor, por tanta emoção / a vida me fez assim doce ou atroz, manso ou feroz / eu, caçador de mim / preso a canções, entregue a paixões / que nunca tiveram fim / vou me encontrar longe do meu lugar / eu, caçador de mim.. No caso brasileiro, o frequente retorno de questões do tipo: que país é este? que sociedade é esta? denota a ânsia por um olhar inaugural pleno e não mistificador, cuja possibilidade de instauração encontra-se perdida para sempre.
Fonte;
Por uma cartografia da ação: pequeno ensaio de método * Ana Clara Torres Ribeiro, Alice Lourenço, Laura Maul de Carvalho